Essa review será pequena, eu realmente não quero dar NENHUM spoiler aqui, pois a descoberta do filme é surpreendente e ele é trabalhado todo em torno dela. Antes de começar a ler, favor dar o play na música:
Ficha técnica:
Direção: André Øvredal
Ano de lançamento: 2016
Elenco principal: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond
Duração: 86 min
A premissa é a seguinte: O corpo de uma garota pálida e nua é descoberto numa cena do que se supõe ser um assassinato. O caso é estranho, as portas da casa estão fechadas por dentro, ão houve sinais de arrombamento, e a garota estava semi-desenterrada no porão, sem nenhum dano externo aparente; o xerife Burke (Michael McElhatton), então, leva o cadáver para a casa funerária da família Tilden, ele pede pressa para determinar a causa da morte, pois precisa explicar a presença estranha para a imprensa na manhã seguinte. Então, Tommy e Austin, pai e filho, partem para a autópsia, e é aí que as coisas começam a ficar estranhas.
Sobre o trio de atores principais do filme: eles são impecáveis. Pai e filho entregam uma relação muito convincente e o roteiro apresenta detalhes das vidas deles de uma forma tão natural que hora alguma parece um recurso artificial para intensificar a relação dos dois (prêmio para a cena do elevador, e pra backstory da mãe), o veterano Brian Cox e o pouco conhecido Emile Hirsch passam uma dinâmica muito boa. Diferente de uma infinita gama de filmes de terror, aqui as reações são as esperadas de dois seres humanos com o mínimo de inteligência. Tão logo as coisas estranhas começam a acontecer com evidências indiscutíveis, os personagens aceitam e reagem para resolverem o(s) "problema(s)", isso ajuda muito no quesito autenticidade do filme. Agora, algo que eu nunca esperaria dizer de uma forma séria: Ophelia Lovibond atua perfeitamente enquanto um cadáver! Nada mais que a verdade, queridas pessoas, ela está lá, deitada o filme todo, exposta, sendo manipulada, mas o olhar dela é assustador e intimidador, você sente calafrios quando a câmera foca na expressão facial dela, cria mil expectativas, fica na beira do abismo do suspense, esperando a hora em que ela fará algo que irá te assustar.
A fotografia do filme é digna de ser mencionada também, a paleta de cores da funerária é muito bonita, os takes, o cenário, tudo muito bem feito e muito bem trabalhado. A fala de uma das personagens secundárias resume bem o look da funerária: "não é como eu esperava que esse lugar se parecesse " (ou algo perto disso). Vale dizer também que o filme é um daqueles que se passa em um lugar confinado, em um cenário com poucos cômodos, mas em hora alguma é tedioso ou te empurra uma claustrofobia (algo tão comum em filmes de cenários limitados).
Sobre a trilha, além da assustadora música que eu espero que você tenha escutado ali em cima, tudo no filme é usado para construir o suspense, a trilha, os sons no cenário (prestem atenção no sininho) e também a falta da trilha; poucos diretores conseguem se sair bem com o uso da falta da trilha sonora, e este é um deles. Por falar em trilha, preste bastante atenção no rádio,além de ajudar a criar o clima de estranheza ele é praticamente um personagem extra no filme
O filme vale muito ser assistido, vai bem na contra mão dos filmes de terror de grandes estúdios, que querem te tacar as coisas na cara o tempo todo. A tensão é bem construída e a revelação é muitíssimo interessante e lida com um tema comum de um modo bem diferente. Então, vá e dê uma chance a The Autopsy of Jane Doe depois de ler este review, de preferência assista sozinho, de noite, no silêncio, te garanto que a diversão é garantida!

Já imagino uma campanha de rpg com essa temática, vou assistir!
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