terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Jack Frost - Espírito Natalino geneticamente modificado

Chegamos naquela época do ano mais uma vez, época de compaixão, amor e TERROR! Se ano passado eu voltei à minha adolescência com o Santa's Slay, este ano eu volto à minha infância com o estranho Jack Frost

Ficha Técnica:
Direção: Michael Cooney
Ano de lançamento: 1997
Elenco principal: Scott MacDonald, Christopher Allport, Stephen Mendel
Duração: 89 minutos













Uma das primeiras coisas que me vêm a cabeça ao olhar pro poster deste filme é a capa do VHS dele na locadora. Me lembro de quando era criança, ao passar e repassar na sessão de terror eu sempre pegava esta fita na mão, mas nunca aluguei. A capa tinha um daqueles efeitos muito anos 90, em que você mudava o ângulo de visão e a imagem mudava também. O que era um boneco de neve feliz se transformava neste monstro ali de cima com alguns poucos movimentos. Achei uma imagem na internet da capa, pra vocês terem uma ideia de quão legal era: 

Enfim, vamos à tranqueira (COM SPOILERS): O assassino serial Jack Frost (...quanta coincidência, não é mesmo, Doutor Otto Octavius?) está a caminho da execução quando sofre um acidente automobilístico, o carro da penitenciaria bate em um caminhão que está transportando um ácido geneticamente modificado (?). Ele sai ileso do acidente, mas é banhado no tal ácido como consequência do aumento da pressão no tanque do caminhão. Jack derrete e o SEU DNA SE FUNDE COM A NEVE, tornando-o um assassino implacável na forma de um boneco de neve (que parece de borracha 99% do filme). 
Eu vou só puxar a explicação do cientista que aparece no filme: o ácido faz com que a hélice do seu DNA se funda com um objeto inorgânico, para assim preservar a raça humana caso aconteça uma catástrofe global... acho que eu não preciso dizer muito mais aqui.
Veja bem, o filme é um show de atuações ruins, você quase morre com as pausas entre uma fala e outra, totalmente não natural. A trilha sonora do filme é uma bagunça a parte, temos: trilhas típicas dos anos 90 (trilhas orquestradas com batidas eletrônicas), músicas natalinas, heavy metal, músicas natalinas em forma de heavy metal e músicas de velho oeste (!!!); não tentem acompanhar a trilha, só aceitem na medida em que ela muda durante o filme. 
Jack sai em seu killing spree na pequena cidade de Snowmonton (...), buscando vingança contra o homem que o prendeu, o xerife Sam,  (o falecido Christopher Allport). Na verdade acho que a única atuação digna no filme é a da voz do boneco de neve, ele tem personalidade e um estoque infinito de frases de efeito e trocadilhos. As mortes não são lá muito criativas, mas algumas são bem interessantes, como a mulher que morre enforcada por pisca-piscas e sufocada por bolas de natal. Mas a mais memorável sem sombra de dúvidas é a morte da personagem Jill (Shannon Elizabeth, de American Pie e 13 Fantasmas): Jill está tomando banho de banheira, quando Jack, que pode mudar de estado de matéria facilmente, "escorre" pra dentro da banheira e se solidifica de volta. Veja bem: ele simplesmente estupra a personagem com a cenoura que era seu nariz enquanto bate a cabeça dela repetidas vezes na parede, é bizarro. 
O filme termina com um trabalho de maquiagem legal, que mostra o boneco sendo afetado por sua única fraqueza: líquido anti-congelante. Devo ressaltar a forma como isso foi descoberto: o filho do xerife faz uma gororoba pra ele mais cedo, sob supervisão da mãe, mas ele acrescenta o tal do líquido anti-congelante pois ele não queria que o pai dele congelasse de frio, detalhe que esta coisa É TÓXICA, a ingestão deste líquido é uma emergência médica. Resumindo: o filho quase mata o pai, mas acaba salvando a noite de Natal com sua psicopatia. 
No fim das contas, Jack Frost é um filme divertido que vale os 90 minutos, ele traz à tona o espírito Natalino que todos nós sentimos quando perguntam se é Pavê ou Pacumê.

P.S - Num caso parecido com Cujo e Beethoven, no ano seguinte temos um filme com o mesmo nome e basicamente a mesma premissa, só que feliz e bonitinho, onde o Batman Michael Keaton morre num acidente de carro (...) e retorna um ano depois como um boneco de neve para cumprir as promessas que fez a seu filho.



sábado, 29 de setembro de 2018

Wild Bill Review, e as críticas mais rápidas do oeste!

Precisa de sugestões? Não sabe o que NÃO assistir?! Não tema, Wild Bill Review chegou!

THE REZORT

Ficha Técnica:
Data de lançamento: 
Direção: Steve Barker
Elenco principal: Dougray Scott, Jessica De Gouw, Martin McCann, Elen Rhys















Houve um tempo em que filmes de zumbi era interessantes e raros, tínhamos 28 Days Later (e a sua linda sequencia), Shaun of the Dead, o perfeito remake de Dawn of the Dead; então por volta de 2009, depois do divertidinho Zombie Land, tivemos uma enxurrada de filmes menores e HORRÍVEIS, roteiros batidos, clichês do gênero usados à extrema exaustão. Essa escassez de filmes de zumbi bons tem um intervalo com aquela coisa linda que é Train to Busan. Enfim, o que eu tenho a dizer sobre Rezort é que é um Jurassic Park com zumbis. É uma ideia já usada em outros filmes ou séries (usar os zumbis pra diversão), mas é bem executada. Devo dizer que a atuação de Dougray Scott é sólida e carrega muito do mérito do filme, mas as ideias apresentadas são boas, a execução é competente e, tirando por um fechamento bem besta, é um filme interessante. Destaque pro "twist" apresentado, ainda mais se tratando do tema refugiados, algo tão em alta nos últimos anos. Vale a pena assistir.



NIGHT OF SOMETHING STRANGE

Ficha Técnica:
Data de lançamento: 2016
Direção: Jonathan Straiton
Elenco principal: Trey Harrison, Rebecca C. Kasek, Wayne W. Johnson, Michael Merchant














Sabe tudo o que eu disse ali em cima sobre filmes de zumbi ruins? Se aplica aqui. Os atores são HORRÍVEIS, a trilha é ruim, a execução final é insultante. Uma coisa é quando você parte da premissa do absurdo e assume que seu filme é uma porrada de ideias idiotas, é assim com Sharknado, hora nenhuma Sharknado tenta parecer real ou se leva a sério; outra coisa é quando você apresenta uma ideia "plausível" (um vírus é espalhado por relações sexuais) e joga ações ESTÚPIDAS na tela por parte dos personagens [Sério, eu parei de ver em uma cena que o cara faz sexo com um outro cara depois de confundi-lo com a namorada dele (?) sendo que esse outro cara equivalia a umas 4 namoradas dele em peso]. É tudo tão ruim e não divertido que simplesmente não consegui chegar até o final. Enfim, corram disso. Uma pena terem gastado um nome e uma arte tão legal com um filme tão ruim.

WNUF HALLOWEEN SPECIAL



Ficha Técnica:
Data de lançamento: 2013
Direção: Chris LaMartina, James Branscome, Shawn Jones, Scott Maccubbin, Lonnie Martin, Matthew Menter, Andy Schoeb (não, eu não troquei a Direção de lugar com o Elenco principal)
Elenco principal: Paul Fahrenkopf, Aaron Henkin, Nicolette le Faye, Leanna Chamish











Vocês já devem ter notado por agora o quanto eu gosto de found footages, a imersão, o ponto de vista, enfim. Os melhores found footages são aqueles que fazem o melhor trabalho para se tornarem autênticos. Mas a realidade é chata meus amigos, ela é na maioria das vezes tediosa, então nada mais justo que ao fazer um filme "autêntico" você remova da concepção dele coisas triviais da realidade. WNUF Halloween Special tem uma proposta incrível: Uma equipe de reportagem vai até uma casa assombrada com dois mediums fazer um especial para o Halloween. Por trás desta equipe de reportagem vemos dois apresentadores guiando um telejornal onde passará o especial. E aí cai o problema, é um jornal completo, com notícias totalmente não relacionadas ao tema do filme e PIOR, a cada 10 min de filme TEM UM FUCKING INTERVALO!!! Sim, sim, alguns minutos de chatas propagandas (muito bem construídas, idênticas às propagandas dos anos 80), que a até a segunda vez que você as assiste são legais, mas depois é só uma repetição infindável das propagandas que já passaram. Se eu tirar as propagandas, o filme de 83 min deve ter NO MÁXIMO 10 min sobre a história principal. As atuações são competentes, a ambientação é PERFEITA (antes de fazer a pesquisa eu realmente achava que era um filme dos anos 80), mas o filme é chato, as propagandas estragam todo o clima do filme e a enrolação no jornal não ajuda. Eu vi tanta gente elogiando esse filme, não entendi mesmo.




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

The Autopsy of Jane Doe e a cara do terror indie.

Os trailers hoje em dia entregam muito do filme ou mascaram ele em algo que não é. Muitas vezes os trailers fazem filmes medianos parecerem fantásticos! Por tal motivo não assisto mais a trailers de filmes que não sejam esses grandiosos Hollywoodianos. Com filmes de estúdios menores, nem vejo mesmo. Outro costume que peguei foi não ler a sinopse, escolho um filme em uma destas listas do tipo "os 10 filmes de terror mais bizarros de 2016" e pronto. É sempre usa surpresa, mas nem sempre uma boa ("The Night of Something Strange" tem um nome FUDEROSO, mas é um filme que insultou tanto minha inteligência que eu não aguentei continuar a ver [Isso vindo de alguém que assistiu 6 Sharknados]), mas de vez em quando vale muito a pena. Esse foi o caso do LINDO Autopsy of Jane Doe

Essa review será pequena, eu realmente não quero dar NENHUM spoiler aqui, pois a descoberta do filme é surpreendente e ele é trabalhado todo em torno dela. Antes de começar a ler, favor dar o play na música:



Ficha técnica:
Direção: André Øvredal
Ano de lançamento: 2016
Elenco principal: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond
Duração: 86 min



A premissa é a seguinte: O corpo de uma garota pálida e nua é descoberto numa cena do que se supõe ser um assassinato. O caso é estranho, as portas da casa estão fechadas por dentro, ão houve sinais de arrombamento, e a garota estava semi-desenterrada no porão, sem nenhum dano externo aparente; o xerife Burke (Michael McElhatton), então,  leva o cadáver para a casa funerária da família Tilden, ele pede pressa para determinar a causa da morte, pois precisa explicar a presença estranha para a imprensa na manhã seguinte. Então, Tommy e Austin, pai e filho, partem para a autópsia, e é aí que as coisas começam a ficar estranhas. 

Sobre o trio de atores principais do filme: eles são impecáveis. Pai e filho entregam uma relação muito convincente e o roteiro apresenta detalhes das vidas deles de uma forma tão natural que hora alguma parece um recurso artificial para intensificar a relação dos dois (prêmio para a cena do elevador, e pra backstory da mãe), o veterano Brian Cox e o pouco conhecido Emile Hirsch passam uma dinâmica muito boa. Diferente de uma infinita gama de filmes de terror, aqui as reações são as esperadas de dois seres humanos com o mínimo de inteligência. Tão logo as coisas estranhas começam a acontecer com evidências indiscutíveis, os personagens aceitam e reagem para resolverem o(s) "problema(s)", isso ajuda muito no quesito autenticidade do filme. Agora, algo que eu nunca esperaria dizer de uma forma séria: Ophelia Lovibond atua perfeitamente enquanto um cadáver! Nada mais que a verdade, queridas pessoas, ela está lá, deitada o filme todo, exposta, sendo manipulada, mas o olhar dela é assustador e intimidador, você sente calafrios quando a câmera foca na expressão facial dela, cria mil expectativas, fica na beira do abismo do suspense, esperando a hora em que ela fará algo que irá te assustar. 
A fotografia do filme é digna de ser mencionada também, a paleta de cores da funerária é muito bonita, os takes, o cenário, tudo muito bem feito e muito bem trabalhado. A fala de uma das personagens secundárias resume bem o look da funerária: "não é como eu esperava que esse lugar se parecesse " (ou algo perto disso). Vale dizer também que o filme é um daqueles que se passa em um lugar confinado, em um cenário com poucos cômodos, mas em hora alguma é tedioso ou te  empurra uma claustrofobia (algo tão comum em filmes de cenários limitados).
Sobre a trilha, além da assustadora música que eu espero que você tenha escutado ali em cima, tudo no filme é usado para construir o suspense, a trilha, os sons no cenário (prestem atenção no sininho) e também a falta da trilha; poucos diretores conseguem se sair bem com o uso da falta da trilha sonora, e este é um deles. Por falar em trilha, preste bastante atenção no rádio,além de ajudar a criar o clima de estranheza ele é praticamente um personagem extra no filme

O filme vale muito ser assistido, vai bem na contra mão dos filmes de terror de grandes estúdios, que querem te tacar as coisas na cara o tempo todo. A tensão é bem construída e a revelação é muitíssimo interessante e lida com um tema comum de um modo bem diferente. Então, vá e dê uma chance a The Autopsy of Jane Doe depois de ler este review, de preferência assista sozinho, de noite, no silêncio, te garanto que a diversão é garantida!











sábado, 12 de maio de 2018

Vampire's Kiss - Coisas que só Nicolas Cage faz por você


Vamos lá, imagine um filme com o seguinte plot: Um cara solteiro, anos 80, morador de New York, mentalmente instável. Depois de um acontecimento singular ele começa a passar por uma transformação, pensando ser um vampiro. Na medida em que o tempo passa, sua mente se afunda cada vez mais na ilusão vampírica e isso afeta tudo e todos ao seu redor, um verdadeiro passeio para o fundo do poço da loucura. Um potencial infinito para ser uma obra prima de terror psicológico! Aí você pega essa fórmula e acrescenta UMA ÚNICA COISA: Nicolas Cage com 24 anos de idade. E BAM! O filme vira um caos! Mas um caos L-I-N-D-O

Ficha técnica:
Direção: Robert Bierman
Ano de lançamento: 1988
Elenco principal: Nicolas Cage, Nicolas Cage, Nicolas Cage
Duração: 103 min















Acho super interessante quando um filme que trata sobre loucura te deixa confuso, quando o roteiro é tão caótico quanto a loucura do protagonista, como acontece em In the Mouth of Madness". Aqui tudo é caótico, o roteiro, a atução do Cage (quando ela não é?), a trilha, tudo! Vamos lá.
In the Mouth of Madness, filme louco de pedra

Peter Loew trabalha em uma editora, em um cargo importante. Nos fins de semana ele vai até bares da cidade para procurar mulheres. Nas terças-feiras pela tarde ele vai até a psiquiatra conversar da vida. Um cara bem normal. Porém, em uma noite, durante um amasso hard, um morcego entra pela janela do apartamento, assustando o casal. Peter espanta o morcego em uma cena esquisita e mais tarde revela à psiquiatra que sentiu tesão ao lutar contra o animal (what?). Enquanto isso na empresa, surge um sub-plot: um certo cliente precisa do seu manuscrito, mas é de uma conta antiga e foi armazenado em uma categoria que possui um bobilhão de arquivos. Peter pede à uma secretaria, Alva (Maria Conchita Alonso) que vasculhe os intermináveis arquivo em busca do manuscrito, mas Alva não consegue encontrar o manuscrito dentre os infinitos papéis. Esse sub-plot é responsável pelas cenas mais memoráveis do filme, diga-se de passagem.
Continuando, numa noitadas, Peter conhece "Rachel"( Jennifer Beals), quem ele leva para casa. No meio do amasso hard, é revelado que Rachel é uma vampira (?) e ela se alimenta de Peter. Daqui em diante o caos é instaurado!
A mente de Peter começa a se deteriorar à medida em que ele se da conta de que está "virando um vampiro" e Nicolas Cage dá um banho de atuação caótica (sério, é uma coisa muito única, do tipo que NENHUM OUTRO ator conseguiria fazer) que vale a pena ser assistida. É destefilme que temos o famoso meme:

Nesta cena Peter está esculhambando com a secretária, pois ela ainda não encontrou o manuscrito, o rosto dele vai mudando e mudando e você não consegue parar de rir das expressões faciais do ator. 

Sem querer estragar muito, porque eu espero sinceramente do fundo do meu coração que vocês assistam a esse filme, nós temos algumas outras cenas memoráveis: Nicolas Cage recitando o alfabeto, Nicolas Cage indo dormir num "caixão", Nicolas Cage em uma consulta psiquiátrica imaginária, Nicolas Cage perseguindo a secretária pela empresa, Nicolas Cage com dentes de vampiro andando como o Nosferatu de 1922, DENTRE VÁRIAS OUTRAS. Note que eu usei o nome Nicolas Cage, e não Peter Loew, pois eu acredito piamente que essas atuações são partes muito claras da personalidade do ator (nós temos algo MUITO PARECIDO em Motoqueiro Fantasma 2, quando Jhonny Blaze resolve virar Nicolas Cage).
Outra coisa extremamente caótica é a trilha sonora. Ela simplesmente não combina com NADA que está sendo mostrado em tela, você fica muito confuso sobre como deve se sentir. Lembra muito trilhas de filmes de monstros dos anos 50, grandiosa e pomposa, mas as cenas que acompanham as trilhas são no mínimo destoantes.
Não quero falar muito mais, para não estragar a experiência. Assista esse filme, chame amigos e garanto que vai ser divertido. Você vai notar elementos de cena que não fazem sentido algum, caretas do Nicolas Cage, trilha caótica, caretas do Nicolas Cage, cortes de cena bizarros e também caretas do Nicolas Cage. Vá em frente!

Contemplem este trailer: