terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Jack Frost - Espírito Natalino geneticamente modificado

Chegamos naquela época do ano mais uma vez, época de compaixão, amor e TERROR! Se ano passado eu voltei à minha adolescência com o Santa's Slay, este ano eu volto à minha infância com o estranho Jack Frost

Ficha Técnica:
Direção: Michael Cooney
Ano de lançamento: 1997
Elenco principal: Scott MacDonald, Christopher Allport, Stephen Mendel
Duração: 89 minutos













Uma das primeiras coisas que me vêm a cabeça ao olhar pro poster deste filme é a capa do VHS dele na locadora. Me lembro de quando era criança, ao passar e repassar na sessão de terror eu sempre pegava esta fita na mão, mas nunca aluguei. A capa tinha um daqueles efeitos muito anos 90, em que você mudava o ângulo de visão e a imagem mudava também. O que era um boneco de neve feliz se transformava neste monstro ali de cima com alguns poucos movimentos. Achei uma imagem na internet da capa, pra vocês terem uma ideia de quão legal era: 

Enfim, vamos à tranqueira (COM SPOILERS): O assassino serial Jack Frost (...quanta coincidência, não é mesmo, Doutor Otto Octavius?) está a caminho da execução quando sofre um acidente automobilístico, o carro da penitenciaria bate em um caminhão que está transportando um ácido geneticamente modificado (?). Ele sai ileso do acidente, mas é banhado no tal ácido como consequência do aumento da pressão no tanque do caminhão. Jack derrete e o SEU DNA SE FUNDE COM A NEVE, tornando-o um assassino implacável na forma de um boneco de neve (que parece de borracha 99% do filme). 
Eu vou só puxar a explicação do cientista que aparece no filme: o ácido faz com que a hélice do seu DNA se funda com um objeto inorgânico, para assim preservar a raça humana caso aconteça uma catástrofe global... acho que eu não preciso dizer muito mais aqui.
Veja bem, o filme é um show de atuações ruins, você quase morre com as pausas entre uma fala e outra, totalmente não natural. A trilha sonora do filme é uma bagunça a parte, temos: trilhas típicas dos anos 90 (trilhas orquestradas com batidas eletrônicas), músicas natalinas, heavy metal, músicas natalinas em forma de heavy metal e músicas de velho oeste (!!!); não tentem acompanhar a trilha, só aceitem na medida em que ela muda durante o filme. 
Jack sai em seu killing spree na pequena cidade de Snowmonton (...), buscando vingança contra o homem que o prendeu, o xerife Sam,  (o falecido Christopher Allport). Na verdade acho que a única atuação digna no filme é a da voz do boneco de neve, ele tem personalidade e um estoque infinito de frases de efeito e trocadilhos. As mortes não são lá muito criativas, mas algumas são bem interessantes, como a mulher que morre enforcada por pisca-piscas e sufocada por bolas de natal. Mas a mais memorável sem sombra de dúvidas é a morte da personagem Jill (Shannon Elizabeth, de American Pie e 13 Fantasmas): Jill está tomando banho de banheira, quando Jack, que pode mudar de estado de matéria facilmente, "escorre" pra dentro da banheira e se solidifica de volta. Veja bem: ele simplesmente estupra a personagem com a cenoura que era seu nariz enquanto bate a cabeça dela repetidas vezes na parede, é bizarro. 
O filme termina com um trabalho de maquiagem legal, que mostra o boneco sendo afetado por sua única fraqueza: líquido anti-congelante. Devo ressaltar a forma como isso foi descoberto: o filho do xerife faz uma gororoba pra ele mais cedo, sob supervisão da mãe, mas ele acrescenta o tal do líquido anti-congelante pois ele não queria que o pai dele congelasse de frio, detalhe que esta coisa É TÓXICA, a ingestão deste líquido é uma emergência médica. Resumindo: o filho quase mata o pai, mas acaba salvando a noite de Natal com sua psicopatia. 
No fim das contas, Jack Frost é um filme divertido que vale os 90 minutos, ele traz à tona o espírito Natalino que todos nós sentimos quando perguntam se é Pavê ou Pacumê.

P.S - Num caso parecido com Cujo e Beethoven, no ano seguinte temos um filme com o mesmo nome e basicamente a mesma premissa, só que feliz e bonitinho, onde o Batman Michael Keaton morre num acidente de carro (...) e retorna um ano depois como um boneco de neve para cumprir as promessas que fez a seu filho.



sábado, 29 de setembro de 2018

Wild Bill Review, e as críticas mais rápidas do oeste!

Precisa de sugestões? Não sabe o que NÃO assistir?! Não tema, Wild Bill Review chegou!

THE REZORT

Ficha Técnica:
Data de lançamento: 
Direção: Steve Barker
Elenco principal: Dougray Scott, Jessica De Gouw, Martin McCann, Elen Rhys















Houve um tempo em que filmes de zumbi era interessantes e raros, tínhamos 28 Days Later (e a sua linda sequencia), Shaun of the Dead, o perfeito remake de Dawn of the Dead; então por volta de 2009, depois do divertidinho Zombie Land, tivemos uma enxurrada de filmes menores e HORRÍVEIS, roteiros batidos, clichês do gênero usados à extrema exaustão. Essa escassez de filmes de zumbi bons tem um intervalo com aquela coisa linda que é Train to Busan. Enfim, o que eu tenho a dizer sobre Rezort é que é um Jurassic Park com zumbis. É uma ideia já usada em outros filmes ou séries (usar os zumbis pra diversão), mas é bem executada. Devo dizer que a atuação de Dougray Scott é sólida e carrega muito do mérito do filme, mas as ideias apresentadas são boas, a execução é competente e, tirando por um fechamento bem besta, é um filme interessante. Destaque pro "twist" apresentado, ainda mais se tratando do tema refugiados, algo tão em alta nos últimos anos. Vale a pena assistir.



NIGHT OF SOMETHING STRANGE

Ficha Técnica:
Data de lançamento: 2016
Direção: Jonathan Straiton
Elenco principal: Trey Harrison, Rebecca C. Kasek, Wayne W. Johnson, Michael Merchant














Sabe tudo o que eu disse ali em cima sobre filmes de zumbi ruins? Se aplica aqui. Os atores são HORRÍVEIS, a trilha é ruim, a execução final é insultante. Uma coisa é quando você parte da premissa do absurdo e assume que seu filme é uma porrada de ideias idiotas, é assim com Sharknado, hora nenhuma Sharknado tenta parecer real ou se leva a sério; outra coisa é quando você apresenta uma ideia "plausível" (um vírus é espalhado por relações sexuais) e joga ações ESTÚPIDAS na tela por parte dos personagens [Sério, eu parei de ver em uma cena que o cara faz sexo com um outro cara depois de confundi-lo com a namorada dele (?) sendo que esse outro cara equivalia a umas 4 namoradas dele em peso]. É tudo tão ruim e não divertido que simplesmente não consegui chegar até o final. Enfim, corram disso. Uma pena terem gastado um nome e uma arte tão legal com um filme tão ruim.

WNUF HALLOWEEN SPECIAL



Ficha Técnica:
Data de lançamento: 2013
Direção: Chris LaMartina, James Branscome, Shawn Jones, Scott Maccubbin, Lonnie Martin, Matthew Menter, Andy Schoeb (não, eu não troquei a Direção de lugar com o Elenco principal)
Elenco principal: Paul Fahrenkopf, Aaron Henkin, Nicolette le Faye, Leanna Chamish











Vocês já devem ter notado por agora o quanto eu gosto de found footages, a imersão, o ponto de vista, enfim. Os melhores found footages são aqueles que fazem o melhor trabalho para se tornarem autênticos. Mas a realidade é chata meus amigos, ela é na maioria das vezes tediosa, então nada mais justo que ao fazer um filme "autêntico" você remova da concepção dele coisas triviais da realidade. WNUF Halloween Special tem uma proposta incrível: Uma equipe de reportagem vai até uma casa assombrada com dois mediums fazer um especial para o Halloween. Por trás desta equipe de reportagem vemos dois apresentadores guiando um telejornal onde passará o especial. E aí cai o problema, é um jornal completo, com notícias totalmente não relacionadas ao tema do filme e PIOR, a cada 10 min de filme TEM UM FUCKING INTERVALO!!! Sim, sim, alguns minutos de chatas propagandas (muito bem construídas, idênticas às propagandas dos anos 80), que a até a segunda vez que você as assiste são legais, mas depois é só uma repetição infindável das propagandas que já passaram. Se eu tirar as propagandas, o filme de 83 min deve ter NO MÁXIMO 10 min sobre a história principal. As atuações são competentes, a ambientação é PERFEITA (antes de fazer a pesquisa eu realmente achava que era um filme dos anos 80), mas o filme é chato, as propagandas estragam todo o clima do filme e a enrolação no jornal não ajuda. Eu vi tanta gente elogiando esse filme, não entendi mesmo.




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

The Autopsy of Jane Doe e a cara do terror indie.

Os trailers hoje em dia entregam muito do filme ou mascaram ele em algo que não é. Muitas vezes os trailers fazem filmes medianos parecerem fantásticos! Por tal motivo não assisto mais a trailers de filmes que não sejam esses grandiosos Hollywoodianos. Com filmes de estúdios menores, nem vejo mesmo. Outro costume que peguei foi não ler a sinopse, escolho um filme em uma destas listas do tipo "os 10 filmes de terror mais bizarros de 2016" e pronto. É sempre usa surpresa, mas nem sempre uma boa ("The Night of Something Strange" tem um nome FUDEROSO, mas é um filme que insultou tanto minha inteligência que eu não aguentei continuar a ver [Isso vindo de alguém que assistiu 6 Sharknados]), mas de vez em quando vale muito a pena. Esse foi o caso do LINDO Autopsy of Jane Doe

Essa review será pequena, eu realmente não quero dar NENHUM spoiler aqui, pois a descoberta do filme é surpreendente e ele é trabalhado todo em torno dela. Antes de começar a ler, favor dar o play na música:



Ficha técnica:
Direção: André Øvredal
Ano de lançamento: 2016
Elenco principal: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond
Duração: 86 min



A premissa é a seguinte: O corpo de uma garota pálida e nua é descoberto numa cena do que se supõe ser um assassinato. O caso é estranho, as portas da casa estão fechadas por dentro, ão houve sinais de arrombamento, e a garota estava semi-desenterrada no porão, sem nenhum dano externo aparente; o xerife Burke (Michael McElhatton), então,  leva o cadáver para a casa funerária da família Tilden, ele pede pressa para determinar a causa da morte, pois precisa explicar a presença estranha para a imprensa na manhã seguinte. Então, Tommy e Austin, pai e filho, partem para a autópsia, e é aí que as coisas começam a ficar estranhas. 

Sobre o trio de atores principais do filme: eles são impecáveis. Pai e filho entregam uma relação muito convincente e o roteiro apresenta detalhes das vidas deles de uma forma tão natural que hora alguma parece um recurso artificial para intensificar a relação dos dois (prêmio para a cena do elevador, e pra backstory da mãe), o veterano Brian Cox e o pouco conhecido Emile Hirsch passam uma dinâmica muito boa. Diferente de uma infinita gama de filmes de terror, aqui as reações são as esperadas de dois seres humanos com o mínimo de inteligência. Tão logo as coisas estranhas começam a acontecer com evidências indiscutíveis, os personagens aceitam e reagem para resolverem o(s) "problema(s)", isso ajuda muito no quesito autenticidade do filme. Agora, algo que eu nunca esperaria dizer de uma forma séria: Ophelia Lovibond atua perfeitamente enquanto um cadáver! Nada mais que a verdade, queridas pessoas, ela está lá, deitada o filme todo, exposta, sendo manipulada, mas o olhar dela é assustador e intimidador, você sente calafrios quando a câmera foca na expressão facial dela, cria mil expectativas, fica na beira do abismo do suspense, esperando a hora em que ela fará algo que irá te assustar. 
A fotografia do filme é digna de ser mencionada também, a paleta de cores da funerária é muito bonita, os takes, o cenário, tudo muito bem feito e muito bem trabalhado. A fala de uma das personagens secundárias resume bem o look da funerária: "não é como eu esperava que esse lugar se parecesse " (ou algo perto disso). Vale dizer também que o filme é um daqueles que se passa em um lugar confinado, em um cenário com poucos cômodos, mas em hora alguma é tedioso ou te  empurra uma claustrofobia (algo tão comum em filmes de cenários limitados).
Sobre a trilha, além da assustadora música que eu espero que você tenha escutado ali em cima, tudo no filme é usado para construir o suspense, a trilha, os sons no cenário (prestem atenção no sininho) e também a falta da trilha; poucos diretores conseguem se sair bem com o uso da falta da trilha sonora, e este é um deles. Por falar em trilha, preste bastante atenção no rádio,além de ajudar a criar o clima de estranheza ele é praticamente um personagem extra no filme

O filme vale muito ser assistido, vai bem na contra mão dos filmes de terror de grandes estúdios, que querem te tacar as coisas na cara o tempo todo. A tensão é bem construída e a revelação é muitíssimo interessante e lida com um tema comum de um modo bem diferente. Então, vá e dê uma chance a The Autopsy of Jane Doe depois de ler este review, de preferência assista sozinho, de noite, no silêncio, te garanto que a diversão é garantida!











sábado, 12 de maio de 2018

Vampire's Kiss - Coisas que só Nicolas Cage faz por você


Vamos lá, imagine um filme com o seguinte plot: Um cara solteiro, anos 80, morador de New York, mentalmente instável. Depois de um acontecimento singular ele começa a passar por uma transformação, pensando ser um vampiro. Na medida em que o tempo passa, sua mente se afunda cada vez mais na ilusão vampírica e isso afeta tudo e todos ao seu redor, um verdadeiro passeio para o fundo do poço da loucura. Um potencial infinito para ser uma obra prima de terror psicológico! Aí você pega essa fórmula e acrescenta UMA ÚNICA COISA: Nicolas Cage com 24 anos de idade. E BAM! O filme vira um caos! Mas um caos L-I-N-D-O

Ficha técnica:
Direção: Robert Bierman
Ano de lançamento: 1988
Elenco principal: Nicolas Cage, Nicolas Cage, Nicolas Cage
Duração: 103 min















Acho super interessante quando um filme que trata sobre loucura te deixa confuso, quando o roteiro é tão caótico quanto a loucura do protagonista, como acontece em In the Mouth of Madness". Aqui tudo é caótico, o roteiro, a atução do Cage (quando ela não é?), a trilha, tudo! Vamos lá.
In the Mouth of Madness, filme louco de pedra

Peter Loew trabalha em uma editora, em um cargo importante. Nos fins de semana ele vai até bares da cidade para procurar mulheres. Nas terças-feiras pela tarde ele vai até a psiquiatra conversar da vida. Um cara bem normal. Porém, em uma noite, durante um amasso hard, um morcego entra pela janela do apartamento, assustando o casal. Peter espanta o morcego em uma cena esquisita e mais tarde revela à psiquiatra que sentiu tesão ao lutar contra o animal (what?). Enquanto isso na empresa, surge um sub-plot: um certo cliente precisa do seu manuscrito, mas é de uma conta antiga e foi armazenado em uma categoria que possui um bobilhão de arquivos. Peter pede à uma secretaria, Alva (Maria Conchita Alonso) que vasculhe os intermináveis arquivo em busca do manuscrito, mas Alva não consegue encontrar o manuscrito dentre os infinitos papéis. Esse sub-plot é responsável pelas cenas mais memoráveis do filme, diga-se de passagem.
Continuando, numa noitadas, Peter conhece "Rachel"( Jennifer Beals), quem ele leva para casa. No meio do amasso hard, é revelado que Rachel é uma vampira (?) e ela se alimenta de Peter. Daqui em diante o caos é instaurado!
A mente de Peter começa a se deteriorar à medida em que ele se da conta de que está "virando um vampiro" e Nicolas Cage dá um banho de atuação caótica (sério, é uma coisa muito única, do tipo que NENHUM OUTRO ator conseguiria fazer) que vale a pena ser assistida. É destefilme que temos o famoso meme:

Nesta cena Peter está esculhambando com a secretária, pois ela ainda não encontrou o manuscrito, o rosto dele vai mudando e mudando e você não consegue parar de rir das expressões faciais do ator. 

Sem querer estragar muito, porque eu espero sinceramente do fundo do meu coração que vocês assistam a esse filme, nós temos algumas outras cenas memoráveis: Nicolas Cage recitando o alfabeto, Nicolas Cage indo dormir num "caixão", Nicolas Cage em uma consulta psiquiátrica imaginária, Nicolas Cage perseguindo a secretária pela empresa, Nicolas Cage com dentes de vampiro andando como o Nosferatu de 1922, DENTRE VÁRIAS OUTRAS. Note que eu usei o nome Nicolas Cage, e não Peter Loew, pois eu acredito piamente que essas atuações são partes muito claras da personalidade do ator (nós temos algo MUITO PARECIDO em Motoqueiro Fantasma 2, quando Jhonny Blaze resolve virar Nicolas Cage).
Outra coisa extremamente caótica é a trilha sonora. Ela simplesmente não combina com NADA que está sendo mostrado em tela, você fica muito confuso sobre como deve se sentir. Lembra muito trilhas de filmes de monstros dos anos 50, grandiosa e pomposa, mas as cenas que acompanham as trilhas são no mínimo destoantes.
Não quero falar muito mais, para não estragar a experiência. Assista esse filme, chame amigos e garanto que vai ser divertido. Você vai notar elementos de cena que não fazem sentido algum, caretas do Nicolas Cage, trilha caótica, caretas do Nicolas Cage, cortes de cena bizarros e também caretas do Nicolas Cage. Vá em frente!

Contemplem este trailer:

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

HO HO HO Motherf*ckers!

Chegamos naquela época do ano outra vez. Cheia de luzes, amor e TERROR. Porque nada melhor para comemorar o Natal do que um bom e divertido filme com mortes, sangue e sadismo. Eu poderia vir aqui e falar de filmes de terror natalinos conhecidos, como o legalzinho Krampus ou o soberbo A Christmas Horror Story, mas eu resolvi voltar aos meus anos de adolescência e trazer para vocês Santa's Slay. [recentemente me caiu a ficha que o nome do filme é um trocadilho. "Trenó do Papai Noel" em inglês é "Santa's Sleigh", sleigh é pronunciado da mesma forma que slay, que significa: matar, chacinar, assassinar... além disso ainda tem uma outra brincadeirinha com as palavras Santa e Satan quando o título do filme é apresentado.]

Ficha técnica:
Direção: David Steiman
Ano de lançamento: 2005
Elenco principal: Bill Goldberg, Douglas Smith, Emilie de Ravin 
Duração: 85 min













A primeira observação que eu vou fazer sobre esse filme é sobre o ator que interpreta o Papai Noel. Eu geralmente não tenho uma boa opinião quando os diretores escolhem pessoas que não são atores para seus filmes (Nenhum rapper sabe atuar, menos Ice T que agora é mais ator que cantor, o ator principal do Avatar The Last Airbender é um ótimo lutador, um péssimo ator, e assim segue a lista), porém aqui a coisa funciona. E funciona de um modo quase simbiótico. O grandalhão, lutador de WWE, Bill Goldberg nasceu para o papel. Ele possui um carisma incrível e traz para o seu personagem técnicas da WWE. Neste filme ele é um juggernaut carismático, correndo, destruindo, derrubando portas, quebrando pessoas...E que mortes, meus amigos. Mortes divertidas de assistir e MUITO criativas, com toques de justiça poética (o judeu impalado com o Menorá pelo Papai Noel...).Destaque também para os trocadilhos que ele faz ao matar certos personagens.
O principal ator coadjuvante é sofrível, o personagem é chato e a atuação mais ainda. Mas em compensação nós temos o brilhantismo e a beleza de Emilie de Ravin, muito à vontade no papel de uma mulher decidida e direta. Nenhum outro ator do filme é ruim, só mesmo o tal do Douglas Smith (olhando a página do imdb dele vejo que ele trabalha bastante, então talvez a culpa seja do personagem mesmo). Destaque para o Pastor Timmons e o velho com a voz de robô. 
Depois destas observações eu tenho um ponto muito importante pra dizer: este é um filme super divertido. Ele te prende (mesmo que você se questione como) e te mantém interessado até o final. Te garanto que ele fica ainda mais divertido se você trouxer mais pessoas para assití-lo; definitivamente este é um daqueles filmes que fica melhor com seus amigos pra rir junto. A trilha sonora é curiosa, ao mesmo tempo em que traz músicas natalinas no momento certo (músicas felizes sobre Papai Noel e Natal enquanto pessoas são mortas, ou enquanto Papai Noel joga presentes explosivos do trenó voador (?)) ela tem um tema que é usado a exaustão; na última vez que ele é usado você se pergunta "Essa música de novo?" 
A cena de abertura é bem supimpa e apresenta de forma perfeita o tom que o filme terá. Duvido que você assista a ela e não queira ver o resto do filme: 

Um outro diferencial do filme é que ele traz uma explicação, apresentada em uma cena bem linda de stop motion de porque Papai Noel despirocou e resolveu matar todo mundo. Eu não vou estragar a explicação, que é bem absurda, (mas o filme todo é) e só vou dizer que Papai Noel neste filme é filho de ninguém menos que Satanás, com o sobrenome Shaitan e tudo mais. 
Enfim, reúna os amigos, traga um pouco de álcool e coloque este filme. Te garanto que é bem melhor que qualquer adaptação da paixão de Cristo que eles mostram perto do Natal. 
Feliz Natal!



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Eu sei o que vocês fizeram na sequência seguinte

É (Era, eu comecei esse post dia 31 e acabei hoje, dia 2) Halloween! E o que eu vos trago? UMA PORRADA de críticas! Todas sobre a série de filmes Amityville. Pincelando geral sobre esses filmes (escrevi do 2 ao 8 aqui), é triste ver como uma série de filmes que tem 2 entradas excelentes vai decaindo e decaindo. Sem mais delongas:
(Nota: O título deste post era Wild Bill Review, mas eu resolvi mudar pra uma sessão nova. Em "Eu Sei o Que Vocês Fizeram na Sequência Seguinte" eu irei analizar algumas sequências de filmes, geralmente mais de 2 (se houverem) e nunca o primeiro filme. Aproveitem!)

AMITYVILLE 2: THE POSSESSION 


Ano de lançamento: 1982
Direção: Damiano Damiani (lol?)
Elenco principal: James Olson
Burt Young
 Rutanya Alda
 Jack Magner
 Andrew Prine











Podem me bater, me apedrejar, mas eu acho Amityville 2 melhor em muitos aspectos que o 1. Aqui a história se passa antes do clássico de 1979 e leva justamente aos acontencimentos que assombram o protagonista do primeiro filme. A construção do terror aqui é superior, você realmente sente uma agonia enquanto o personagem principal vai se corrompendo e perde as esperanças cada vez que algo ruim acontece. De longe a melhor cena é a da dita possessão, o trabalho de câmera é incrível, e você fica tentando adivinhar onde está o demônio, chega a dar um nó na garganta e vontade de gritar para o protagonista: "Saia correndo daí!". Uma das coisas que eu mais gostei foi do filme não ter acabado quando você pensa que acabou, ele insere um novo arco, rápido e eficiente (apesar de ficar meio chupado de O Exorcista). A atuação é ruim na maioria do elenco, mas um filme que tem coragem de mostrar uma cena de incesto lá em 1982 é no mínimo corajoso. Vale muito ser assistido! O triste é que daqui pra frente as sequências só pioram, o que nos leva até....


AMITYVILLE 3D


Ano de lançamento: 1983
Direção: Richard Fleischer
Elenco principal: Tony Roberts
Tess Harper
 Robert Joy
 Candy Clark












Esse filme é ruim. Tão ruim que eu nem lembrava que tinha ele entre o anterior e o próximo. As atuações são ruins, a história é ruim, os efeitos são ruins. Um repórter se muda para a casa para desmascarar as supostas assombrações e acaba se ferrando quando sua filha morre. Enfim, tem um efeitozinho legal do monstro no porão. Pelo menos ele não abusa do 3D (cof cof, Sexta Feira 13 part III). Temos uma jovem Meg Rayan e uma jovem Tia Becky  Lori Loughlin em papéis de início de carreira, nada que exige muito. Fique longe desse filme, mas pelo menos ele ainda é na casa de Amityville, diferente de...

AMITYVILLE: THE EVIL ESCAPES 



Ano de lançamento: 1989
Direção: Sandor Stern
Elenco principal: Patty Duke
Jane Wyatt
Frederic Lehne













O capeta de Amityville entrou num abajur, uma velha comprou pois era feio e resolveu trollar a irmã mandando tal objeto pelo correio...e ela trollou bonito. Amityville the Evil Escapes pra mim dá o empurrão ladeira abaixo na série. Ele tira o foco da casa e começa a colocar em objetos (e todos os filmes daqui pra frente serão assim). Pra mim a única coisa interessante nesse filme é o Demônio de olhos amarelos Frederic Lehne, que já mostra uma atuação sólida no quesito "forças do mal". Tem um bilhão de cenas que poderiam ser infinitamente bem aproveitadas, mas perdem o brilho por uma má condução e atuações ruins. No fim, o abajur (?) é quebrado e o capeta entra num gato, gato esse que nunca mais volta, pois logo a seguir temos um confessionário assombrado em...

AMITYVILLE: CURSE



Ano de lançamento: 1990
Direção: Tom Berry
Elenco Principal: Kim Coates
Dawna Wightman
Helen Hughes














Sim meus amigos, um confessionário de igreja, daqueles que o padre entre e fecha a portinha pra ouvir os outros. Um confessionário mal assombrado e um filho ilegítimo de um padre. Pronto, resumi toda a bobagem que é esse filme. O cartaz diz "A Return to the Most dangerous house in the world", só que ninguém volta pra lugar nenhum, a casa é outra. E daqui pra frente você irá ver peitos nos filmes, coisas que os três primeiros não precisariam usar pra chamar a atenção. O filme é escuro e feio, as atuações são mais feias ainda. Um filme totalmente dispensável, inferior ao...


AMITYVILLE: IT'S ABOUT TIME


Ano de lançamento: 1992
Direção: Tony Rendel
Elenco  Principal: Stephen Macht
Shawn Weatherly
Megan Ward
















Amityville: Já era hora...ehheheuhauehaeuea. Só rindo mesmo pra não perder a sanidade depois de tanto filme ruim. Mas esse aqui é o melhor menos pior depois do 2. Dirigido pelo diretor de Hellraiser 2, Amityville: It's about time é sobre um relógio amaldiçado, que veio de onde? De onde? Da casa dos 3 primeiros filmes! =0. Eu gostei desse, ele tem uma história interessante, o pai atua bem (só ele), tem uma velhinha que manja das putarias do mal, os efeitos de práticos são bons, a maquiagem também, enfim, tem alguns personagens interessantes. O final tem uma surpresa muito interessante, vale a pena assistir, o que eu não posso dizer sobre...


AMITYVILLE: A NEW GENERATION



Ano de lançamento: 1993
Direção: John Murlowski
Elenco  Principal: Ross Partridge
Julia Nickson
Lala Sloatman













Uma das coisas mais desgostosas sobre Smallville é como a série vai enfiando back stories nos  personagens sem ter pensado nisso antes, aparentemente o "passado" tem duração infinita e você pode colocar quantos arcos quiser lá, pra justificar uma situação do presente. É isso que acontece aqui, do nada eles dizem que antes dos assassinatos da parte 2 (que é uma prequel da 1), houveram outros assassinatos, o pai matou a familia toda na mesa do jantar, na malfadada casa de Amityville. Esse pai é internado numa instituição, pois dizia estar possuído pelo demônio, mas por algum motivo ele pode levar um espelho que estava na casa junto com ele. Anos depois o pai sai (levando o espelho, é óbvio), encontra o filho (hein?) e dá o espelho pra ele, possivelmente pro filho também sair matando todo mundo. Você olha pra composição desse filme e ela grita  ANOS 90! Os cortes de cabelo, os figurinos, a imagem, tudo é muito caraterístico.Mas de que adianta, se o filme é ruim pra cacete? Mal executado, atuações ruins, história horrível, muito esquecível esse filme, passe longe. Agora finalmente o último...


AMITYVILLE: DOLLHOUSE



Ano de lançamento: 1996
Direção: Steve White
Elenco  Principal: Robin Thomas
Starr Andreeff
Allen Cutler











A coisa mais triste sobre Dollhouse é que ele é um dos filmes que mais tinha potencial para ser fodástico nessa lista, mas a execução é horrível. Tem uma parte do filme inteira que tirou o plot de um video pornô; sério, você acha que a qualquer instante vai começar uma música cafona e a putaria vai rolar solta. Enfim, a história tinha muito pra dar certo, o filme tem um trabalho de maquiagem incrível, mas os atores são fracos, os personagens são irritantes e a história perde tempo demais em coisas que não fazem sentido (tem uma cena sobre uma vespa que eu ainda estou tentando entender o porquê de ela existir no filme). Enfim, esse é o ultimo Amytiville da leva de filmes antigos, depois de tantas decepções eu realmente não tenho mais paciência pra continuar assistindo a série (que tem mais uns 2 trilhões de filmes).

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Carrie e a nada estranha trilha sonora







Lá em 1970 e poucos um cara trabalhava numa lavanderia industrial e quando tinha intervalo resolvia escrever, pois era o que ele realmente gostava de fazer. Essa pessoa escreveu um conto chamado Carrie, mas não gostou do próprio trabalho e jogou as folhas fora. Sua esposa, Thabita resolveu encorajá-lo, pegou as folhas do lixo e devolveu ao marido, junto com um incentivo e uma visão mais clara sobre como escrever sobre mulheres. Esse cara, Stephen King, então resolveu expandir seu conto em um livro e, para resumir, em 1973 esse livro foi publicado, mudando totalmente a história da literatura de ficção dos Estados Unidos. Em 1976 veio adaptação para o cinema, dirigida por Brian de Palma, com a fantástica Sissy Spacek como o papel do título. 
Antes de começar eu gostaria que você assistisse o filme, ou que pelo menos assistisse depois de ler a minha review. É bem interessante ler tudo isso com o filme fresco na cabeça.

Carrie é antes de tudo uma obra de arte em forma de filme. A direção é impecável, as atuações são fantásticas e a trilha sonora...ah, meus amigos, a trilha sonora! Esse é um daqueles filmes de uma época em que eles não tinham vergonha de aumentar o som da trilha sonora em algumas cenas e em que a trilha sonora é basicamente um outro personagem do filme, que pega em sua mão e te leva pra cima e pra baixo nas emoções durante as cenas. Sério, escutem isso: 
Já deixei na parte que é mais interessante pra discussão

Se aí não começou em 1:30, pulem por favor até lá. Essa é a música tema da Carrie. Toda vez em que a Carrie aparece em tela, descobrindo algo novo, não sofrendo bullying, mostrando um sorriso sincero, essa música toca. Não tem como seu coração não derreter com essa melodia, é uma garota que está aos poucos descobrindo as alegrias de viver, que está notando que possui o poder de escolha para negar a situação em que ela viveu até o momento. E essa parte do tema aí vai ser usada magistralmente em outros momentos do filme, com ritmos e entonações diferentes. 
A cena de abertura, da Carrie tomadno banho, é magnífica. Se por um lado nós temos uma Carrie mirrada, sem vida, nessa cena do banho, os closes são perfeitos pra mostrar que ela já é uma mulher, que seu corpo é lindo do jeito que é. Logo após, como se para confirmar que Carrie agora ultrapassou uma fase da vida, ela tem a primeira menstruação. Mas Carrie não foi ensinada sobre o próprio corpo, a louca da mãe dela não teve conversa alguma sobre isso com ela, pois acredita com veemência que mestruação é sinal de fornicação em algum nível; então Carrie se assusta e faz o mais lógico, pede ajuda para as mulheres que estão no vestiário. Mas como aluno de high school não é gente, as garotas caçoam dela e jogam absorventes nela. Carrie, acuada, chora copiosamente. E Sissy Spacek faz você sentir todo o medo e a tristeza da personagem, culminando com a primeira demonstração do poder destrutivo que a personagem possui.
Depois do incidente no banheiro, Carrie é levada até a diretoria e a treinadora gente boa esclarece para ela algumas coisas. O diretor da escola é um babaca, ele não consegue acertar o nome da Carrie, repetindo "Cassie" várias vezes. E isso te irrita, quando alguém se importa tão pouco com você que mesmo sendo corrigido não acerta seu nome. Aqui eu volto na trilha sonora, prestem atenção como o tema da Carrie está no começo, quando ela na cena ainda está tranquila. Porém, com o passar do tempo o tema se torna obscuro, o diretor continua a errar o nome dela e ela por fim se enfurece e quebra um cinzeiro com o poder da mente.
 
Observem a cadência da coisa

Outra personagem que merece destaque é a mãe da Carrie, interpretada por Piper Laurie. E aqui reside um dos pouquíssimos problemas do filme. A Sra. White é aquela personagem recorrente do Stephen King, aquela que nós odiamos do fundo do coração ( muito parecida com a louca do filme The Mist), ela é exagerada, ela leva sua crença ao extremo e na minha opinião a atriz Piper Laurie não entrega o feeling da coisa totalmente. Lendo alguns artigos na internet descobri que a atriz achava que era um filme de comédia, dada a postura exagerada da Sra. White, e que muitas vezes ela precisava de um tempo para não cair na gargalhada durante uma cena ou outra. Vejam bem, eu não estou dizendo que ela é uma atriz ruim, só acho que ela não pegou a essência dessa personagem, grande parte disto  também acho que vem de ser uma adaptação de um autor muito novo, talvez esse tipo de personagem, que virá a se tornar muito característico dele, ainda não estivesse tão bem desenvolvido assim. Por falar em mãe da Carrie, uma coisa que eu sempre terei PAVOR são dos olhos desse santo que fica no armário do castigo: 
Isso não tá certo, é muito desconfortável olhar pra esse santo

Acho que esta review já se estendeu demais, talvez seja uma das maiores que eu fiz aqui até agora, por isso vamos empacotar tudo falando da orgástica cena do baile. Até aqui nós estamos felizes com a Carrie, ela conseguiu um par para o baile com o cantor Ovelha o popular Tommy Ross, enfrentou a mãe, disse que as coisas iriam mudar, ela declara que quer ser normal, que quer interagir mais com as pessoas. Então o casal entra no baile, Carrie ainda insegura pelo motivo de Tommy Ross a ter convidado, mas a insegurança passa depois de um papo legal com a professora gente boa. Parece mesmo que tudo vai ficar bem, outras garotas conversam com a Carrie, algumas apontam, surpresas com a aparência da protagonista. Mas todos sabemos que algo vai dar errado, já que a parceira do Robocop a bully Nancy Allen e o namorado Travolta arquiteram um plano envolvendo sangue de porco. Mas essa sensação de que algo vai dar errado passa por alguns instantes. A cena da dança é muito bonita, ao som de uma música triste e suave: 


É nessa cena em que Carrie tem certeza de que está feliz, as dúvidas dela sobre estar bonita, sobre o acompanhante, tudo isso acaba aqui, e nós telespectadores respiramos aliviados pela personagem. Quão grande é a surpresa da garota ao descobrir que foi votada como Rainha do Baile, que sorriso maravilhoso que Sissy Spacek coloca na personagem! Sei que posso parecer enfadonho aqui, mas eu não posso deixar de colocar a trilha de quando eles são coroados: 

O tema é tocado novamente, mas escute a transição em 1:02, anunciando que aquela felicidade está para acabar em tragédia

Então em uma construção de cena incrível, nós somos levados ao desespero, quando notamos pelos olhos da personagem Sue, que o plano dos bullies dará certo, o som ambiente praticamente some e lá vem a trilha sonora te colocar pra roer unhas: 

Aqui tudo para, tudo fica silencioso, enquanto Carrie se dá conta do que aconteceu com ela. Vemos uma babaca começando a rir na platéia, entre expressões de pena, mas só escutamos o barulho do balde batendo lentamente contra a madeira e do sangue pingando. E esse silêncio é perturbador, nós estamos vendo (ou melhor, ouvindo) tudo como se fossemos a Carrie. O balde cai, mata Tommy Ross e Carrie começa a lembrar da mãe dizendo que todos irão rir dela. Numa cena terrível, de partir o coração de verdade, vemos todos rindo na cara da garota, escutamos o diretor chamando ela de Cassie, a treinadora dizendo "Pode confiar em mim, Carrie" repetidas vezes. E então Carrie simplesmente não aguenta mais. Num toque genial da direção, nossa visão é divida em duas. Assistimos essa parte do filme praticamente toda com a tela dividida, mostrando quão grande é o poder mental da Carrie. E, sinceramente, você entende perfeitamente a nossa personagem principal. Ela cansou, ela chegou num ponto em que achava que a vida ia melhorar, que ela estava feliz, só pra ser jogada no nível mais baixo possível. Se eu tivesse poderes psíquicos na época da escola, eu certamente teria machucado alguns idiotas que não cansavam de caçoar de mim. Pra mim isso é que faz o filme tão palpável, em algum nível nós nos identificamos perfeitamente com a Carrie, nós sabemos o que é ser caçoado, ser alvo de piadas incessantes, e nós praticamente torcemos para que ela mate cada um daqueles que estão rindo dela. Posso parecer meio estranho aqui, mas é bem gratificante ver a Carrie tacando o terror, na verdade vai além disso, o filme nos faz ENTENDER as ações dela. 

O filme caminha para o final, Carrie vai para casa, mata o casal que pregou a cruel peça. Ao chegar em casa a garota vai tomar banho, e somos presenteados com mais uma linda trilha (é a última, eu prometo): 


Essa música pega o começo do tema da personagem lá em cima e subverte, dá um tom extremamente triste. Essa é a cena em que Carrie está mais frágil. Ela se despe da roupa suja de sangue e entra na banheira para chorar e se limpar, aqui eu realmente já estava de coração partido. 

Adiantando, há um confronto entre Carrie e a mãe, a mãe esfaqueia a filha pois quer eliminar a bruxa que tem em casa, a serva de satã. Sissy Spacek entrega uma atuação estupêndua, a garota só quer o conforto da mãe, até se dispõe a voltar à rotina religiosa horrenda na qual era submetida, mas ao invés disso é esfaqueada nas costas, é traída. E como último recurso, para não ser esfaqueada novamente, Carrie usa seus poderes matar a mãe. E numa sacada muito genial, a mãe acaba morrendo como o São Sebastião medonho do armário do castigo da reza:



E assim basicamente o filme termina, a casa é posta ao chão por uma chuva de pedras e tem mais uma ceninha final com a Sue.

Carrie é uma obra de arte, por todas as capas de filme você espera um filme de terror, mas na verdade é puro horror. É um filme que te deixa feliz, de coração leve, só pra te jogar com força lá no fundo. O ritmo é correto, as atuações, e da trilha sonora eu já falei demais (só não falei do nome do compositor: é o italiano Pino Donaggio, e quando eu paro pra pensar agora, a trilha é bem italiana mesmo). Encerro aqui então essa review sobre essa peça rara do cinema.