Buick 8 - Stephen King (com leves spoilers!)
Hoje vou trazer uma review de um livro que terminei de ler nesta madrugada. Stephen King dispensa apresentações, qualquer dia desses eu faço um post só dele.
Buick 8 foi concebido em 1999, o mesmo ano do acidente com King, e terminado em 2002. É sobre um destacamento policial que encontra um misterioso carro deixando em um posto de gasolina pelo mais misterioso ainda motorista. O carro é levado para um galpão da delegacia e coisas estranhas começam a acontecer.
Eu particularmente adoro quando o Stephen King vai mais pro lado Lovecraft dele, as descrições que te confundem a cabeça, o lindo texto gore. Tudo muito bem executado. Duvido que você tenha terminado de ler esse livro sem sentir no mínimo um leve enjoo com o cheiro de "repolho podre", ou com a autópsia do morcego.
Mas nem tudo são flores de dimensões inimagináveis neste livro. O texto de King com toda certeza possui algo de diferente aqui. Talvez seja porque o mal do livro é virtualmente incombatível, diferente de outros livros onde a turma de personagens principais se juntam para combater o mal, aqui ele é basicamente inatingível. Tudo o que pode ser feito é observar, ser telespectador de uma mal implacável e, tentar a todo custo não chegar perto para não ser vítima. Outra coisa também diferente é o fato de que este é um livro em que a ideia principal das coisas é "Na vida real, os casos, as histórias, não têm fechamento, não são como num livro com começo meio e fim, e sim uma sucessão de acontecimentos que muitas vezes não possuem um sentido, uma lição". Assim, o livro mostra justamente isso: uma sucessão de acontecimentos que giram em torno do Buick 8. Se você ler procurando um sentido, um desfecho ficcional perfeito, você vai se desapontar. E se tratando de Stephen King, aposto que isto desapontou muitos fãs. Ouso dizer que alguns personagens são rasos, e nos principais falta um desenvolvimento um pouco mais profundo, o que King sabe fazer muito bem em outros casos. Aqui King se aproxima um pouco mais de Lovecraft, ele não escancara a porta da explicação do mal, ele apenas abre uma frestinha que te deixa pensando; na verdade ele nem ao menos tenta dar uma explicação, o que por um lado é excelente, pois a explicação detalhada e a revelação minuciosa são a antítese de um bom Horror.
No fim fica a sensação de quero mais, de que a ideia é genial (quem não acharia legal a ideia de um carro de outra dimensão ou planeta que "cospe" seres Lovecraftianos do porta-malas? Eu não estou sendo irônico), mas não tão bem aproveitada. Não me entenda mal, eu gostei do livro, mais do que de alguns contos dele, recomendaria sem sombra de dúvidas... É sempre bom ver Stephen King escrevendo puro Horror, Horror gráfico e primal, Horror Desconhecido.

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