segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Buick 8


Buick 8 - Stephen King (com leves spoilers!)

Hoje vou trazer uma review de um livro que terminei de ler nesta madrugada. Stephen King dispensa apresentações, qualquer dia desses eu faço um post só dele. 
Buick 8 foi concebido em 1999, o mesmo ano do acidente com King, e terminado em 2002. É sobre um destacamento policial que encontra um misterioso carro deixando em um posto de gasolina pelo mais misterioso ainda motorista. O carro é levado para um galpão da delegacia e coisas estranhas começam a acontecer. 
Eu particularmente adoro quando o Stephen King vai mais pro lado Lovecraft dele, as descrições que te confundem a cabeça, o lindo texto gore. Tudo muito bem executado. Duvido que você tenha terminado de ler esse livro sem sentir no mínimo um leve enjoo com o cheiro de "repolho podre", ou com a autópsia do morcego. 
Mas nem tudo são flores de dimensões inimagináveis neste livro. O texto de King com toda certeza possui algo de diferente aqui. Talvez seja porque o mal do livro é virtualmente incombatível, diferente de outros livros onde a turma de personagens principais se juntam para combater o mal, aqui ele é basicamente inatingível. Tudo o que pode ser feito é observar, ser telespectador de uma mal implacável e, tentar a todo custo não chegar perto para não ser vítima. Outra coisa também diferente é o fato de que este é um livro em que a ideia principal das coisas é "Na vida real, os casos, as histórias, não têm fechamento, não são como num livro com começo meio e fim, e sim uma sucessão de acontecimentos que muitas vezes não possuem um sentido, uma lição". Assim, o livro mostra justamente isso: uma sucessão de acontecimentos que giram em torno do Buick 8. Se você ler procurando um sentido, um desfecho ficcional perfeito, você vai se desapontar. E se tratando de Stephen King, aposto que isto desapontou muitos fãs. Ouso dizer que alguns personagens são rasos, e nos principais falta um desenvolvimento um pouco mais profundo, o que King sabe fazer muito bem em outros casos. Aqui King se aproxima um pouco mais de Lovecraft, ele não escancara a porta da explicação do mal, ele apenas abre uma frestinha que te deixa pensando; na verdade ele nem ao menos tenta dar uma explicação, o que por um lado é excelente, pois a explicação detalhada e a revelação minuciosa são a antítese de um bom Horror. 
No fim fica a sensação de quero mais, de que a ideia é genial (quem não acharia legal a ideia de um carro de outra dimensão ou planeta que "cospe" seres Lovecraftianos do porta-malas? Eu não estou sendo irônico), mas não tão bem aproveitada. Não me entenda mal, eu gostei do livro, mais do que de alguns contos dele, recomendaria sem sombra de dúvidas... É sempre bom ver Stephen King escrevendo puro Horror, Horror gráfico e primal, Horror Desconhecido.

domingo, 1 de novembro de 2015

Ash vs Evil Dead


ASH vs EVIL DEAD (Com Spoilers!)

Depois de 23 anos eles estão de volta, e para nossa felicidade, vão muito bem!
Sam Raimi e Bruce Campbell estão de volta às telas com o incomparável, o inconfundível e incrível clássico: Evil Dead.
Nem por um segundo eu duvidei que Bruce Campbell iria arrasar de volta na pele de Ashley J. Williams, ou que Sam Raimi não faria um excelente trabalho dirigindo o que consagrou e lançou os dois ao mundo do cinema.
Tudo começa com Ash apertando algumas correias aqui e ali, não para dizimar Deadites, mas sim sua barriga saliente. Cambpell parece que interpretou Ash ontem, tamanha facilidade que tem com os trejeitos do personagem. Ashley J. Williams nunca foi um herói nato, ele sempre foi empurrado para isso e abraçava a ideia. E certamente o destino dele depois de velho não impressiona: morando em um trailer, trabalhando de "garoto do estoque" sofrendo bullying do chefe ( e não dando a mínima), usando a mão de madeira pra conquistar uma mulher no fim de noite (a cena de sexo no banheiro é particularmente HILÁRIA), fugindo do mal, afinal ele já está velho pra se preocupar com essas coisas.
Antes de prosseguir eu tenho que tirar um parágrafo para falar DO CARRO. Quem me conhece sabe que eu não sou muito ligado ou interessado em automóveis na vida real, mas carros cinematográficos característicos me encantam, principalmente este: O Oldsmobile Delta 88 de 1973. O carro, apelidado de "The Classic" aparece em praticamente TODOS os filmes do Raimi, de Evil Dead até mesmo Homem Aranha (ainda estou procurando ele em Oz, The Great and Powerful, hue). Aqui ele continua sendo o veículo de Ash e aposto que vai marcar presença nos próximos episódios.
Outra coisa digna de mencionar é a impecável direção do Sam Raimi. Eu tenho um amor gigantesco pelas cenas de ação dele, os closes estranhos, o balanço da câmera, os efeitos sonoros, é tudo muito lindo, muito característico. A maquiagem continua idêntica à dos filmes, as poses engraçadas e sem sentido dos deadites também.
Mas reconheço que até tudo que eu disse até agora foi simplesmente uma colagem de Evil Dead, um interminável processo de referências à filmes anteriores sem quase nada novo (vide Jurassic World). Ainda bem que não é bem assim. Enquanto o episódio vai com toda certeza explodir a cabeça dos fãs antigos, também tem grande potencial para atrair os novos. Quem é aquela policial e por que o deadite disse que a conhecia? Qual será o papel da Lucy Xena Lawless (que diga-se de passagem está incrivelmente mais bonita do que quando era Xena)? O que querem os Deadites que pela primeira vez parecem não estar interessados só em simplesmente sair por aí matando.
Enfim, a série promete. Tomara que tudo continue nesse ritmo crescente e que eles continuem sabendo dosar o humor, pra não ficar mais pastelão que já é. Sentirei falta do Raimi no próximo ep, pois ele não estará na direção, mas veremos como se sai Bob Murawski nesse universo lindo.
Obrigado pela leitura e
Stay Groovy!