quarta-feira, 8 de agosto de 2018

The Autopsy of Jane Doe e a cara do terror indie.

Os trailers hoje em dia entregam muito do filme ou mascaram ele em algo que não é. Muitas vezes os trailers fazem filmes medianos parecerem fantásticos! Por tal motivo não assisto mais a trailers de filmes que não sejam esses grandiosos Hollywoodianos. Com filmes de estúdios menores, nem vejo mesmo. Outro costume que peguei foi não ler a sinopse, escolho um filme em uma destas listas do tipo "os 10 filmes de terror mais bizarros de 2016" e pronto. É sempre usa surpresa, mas nem sempre uma boa ("The Night of Something Strange" tem um nome FUDEROSO, mas é um filme que insultou tanto minha inteligência que eu não aguentei continuar a ver [Isso vindo de alguém que assistiu 6 Sharknados]), mas de vez em quando vale muito a pena. Esse foi o caso do LINDO Autopsy of Jane Doe

Essa review será pequena, eu realmente não quero dar NENHUM spoiler aqui, pois a descoberta do filme é surpreendente e ele é trabalhado todo em torno dela. Antes de começar a ler, favor dar o play na música:



Ficha técnica:
Direção: André Øvredal
Ano de lançamento: 2016
Elenco principal: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond
Duração: 86 min



A premissa é a seguinte: O corpo de uma garota pálida e nua é descoberto numa cena do que se supõe ser um assassinato. O caso é estranho, as portas da casa estão fechadas por dentro, ão houve sinais de arrombamento, e a garota estava semi-desenterrada no porão, sem nenhum dano externo aparente; o xerife Burke (Michael McElhatton), então,  leva o cadáver para a casa funerária da família Tilden, ele pede pressa para determinar a causa da morte, pois precisa explicar a presença estranha para a imprensa na manhã seguinte. Então, Tommy e Austin, pai e filho, partem para a autópsia, e é aí que as coisas começam a ficar estranhas. 

Sobre o trio de atores principais do filme: eles são impecáveis. Pai e filho entregam uma relação muito convincente e o roteiro apresenta detalhes das vidas deles de uma forma tão natural que hora alguma parece um recurso artificial para intensificar a relação dos dois (prêmio para a cena do elevador, e pra backstory da mãe), o veterano Brian Cox e o pouco conhecido Emile Hirsch passam uma dinâmica muito boa. Diferente de uma infinita gama de filmes de terror, aqui as reações são as esperadas de dois seres humanos com o mínimo de inteligência. Tão logo as coisas estranhas começam a acontecer com evidências indiscutíveis, os personagens aceitam e reagem para resolverem o(s) "problema(s)", isso ajuda muito no quesito autenticidade do filme. Agora, algo que eu nunca esperaria dizer de uma forma séria: Ophelia Lovibond atua perfeitamente enquanto um cadáver! Nada mais que a verdade, queridas pessoas, ela está lá, deitada o filme todo, exposta, sendo manipulada, mas o olhar dela é assustador e intimidador, você sente calafrios quando a câmera foca na expressão facial dela, cria mil expectativas, fica na beira do abismo do suspense, esperando a hora em que ela fará algo que irá te assustar. 
A fotografia do filme é digna de ser mencionada também, a paleta de cores da funerária é muito bonita, os takes, o cenário, tudo muito bem feito e muito bem trabalhado. A fala de uma das personagens secundárias resume bem o look da funerária: "não é como eu esperava que esse lugar se parecesse " (ou algo perto disso). Vale dizer também que o filme é um daqueles que se passa em um lugar confinado, em um cenário com poucos cômodos, mas em hora alguma é tedioso ou te  empurra uma claustrofobia (algo tão comum em filmes de cenários limitados).
Sobre a trilha, além da assustadora música que eu espero que você tenha escutado ali em cima, tudo no filme é usado para construir o suspense, a trilha, os sons no cenário (prestem atenção no sininho) e também a falta da trilha; poucos diretores conseguem se sair bem com o uso da falta da trilha sonora, e este é um deles. Por falar em trilha, preste bastante atenção no rádio,além de ajudar a criar o clima de estranheza ele é praticamente um personagem extra no filme

O filme vale muito ser assistido, vai bem na contra mão dos filmes de terror de grandes estúdios, que querem te tacar as coisas na cara o tempo todo. A tensão é bem construída e a revelação é muitíssimo interessante e lida com um tema comum de um modo bem diferente. Então, vá e dê uma chance a The Autopsy of Jane Doe depois de ler este review, de preferência assista sozinho, de noite, no silêncio, te garanto que a diversão é garantida!