segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

HO HO HO Motherf*ckers!

Chegamos naquela época do ano outra vez. Cheia de luzes, amor e TERROR. Porque nada melhor para comemorar o Natal do que um bom e divertido filme com mortes, sangue e sadismo. Eu poderia vir aqui e falar de filmes de terror natalinos conhecidos, como o legalzinho Krampus ou o soberbo A Christmas Horror Story, mas eu resolvi voltar aos meus anos de adolescência e trazer para vocês Santa's Slay. [recentemente me caiu a ficha que o nome do filme é um trocadilho. "Trenó do Papai Noel" em inglês é "Santa's Sleigh", sleigh é pronunciado da mesma forma que slay, que significa: matar, chacinar, assassinar... além disso ainda tem uma outra brincadeirinha com as palavras Santa e Satan quando o título do filme é apresentado.]

Ficha técnica:
Direção: David Steiman
Ano de lançamento: 2005
Elenco principal: Bill Goldberg, Douglas Smith, Emilie de Ravin 
Duração: 85 min













A primeira observação que eu vou fazer sobre esse filme é sobre o ator que interpreta o Papai Noel. Eu geralmente não tenho uma boa opinião quando os diretores escolhem pessoas que não são atores para seus filmes (Nenhum rapper sabe atuar, menos Ice T que agora é mais ator que cantor, o ator principal do Avatar The Last Airbender é um ótimo lutador, um péssimo ator, e assim segue a lista), porém aqui a coisa funciona. E funciona de um modo quase simbiótico. O grandalhão, lutador de WWE, Bill Goldberg nasceu para o papel. Ele possui um carisma incrível e traz para o seu personagem técnicas da WWE. Neste filme ele é um juggernaut carismático, correndo, destruindo, derrubando portas, quebrando pessoas...E que mortes, meus amigos. Mortes divertidas de assistir e MUITO criativas, com toques de justiça poética (o judeu impalado com o Menorá pelo Papai Noel...).Destaque também para os trocadilhos que ele faz ao matar certos personagens.
O principal ator coadjuvante é sofrível, o personagem é chato e a atuação mais ainda. Mas em compensação nós temos o brilhantismo e a beleza de Emilie de Ravin, muito à vontade no papel de uma mulher decidida e direta. Nenhum outro ator do filme é ruim, só mesmo o tal do Douglas Smith (olhando a página do imdb dele vejo que ele trabalha bastante, então talvez a culpa seja do personagem mesmo). Destaque para o Pastor Timmons e o velho com a voz de robô. 
Depois destas observações eu tenho um ponto muito importante pra dizer: este é um filme super divertido. Ele te prende (mesmo que você se questione como) e te mantém interessado até o final. Te garanto que ele fica ainda mais divertido se você trouxer mais pessoas para assití-lo; definitivamente este é um daqueles filmes que fica melhor com seus amigos pra rir junto. A trilha sonora é curiosa, ao mesmo tempo em que traz músicas natalinas no momento certo (músicas felizes sobre Papai Noel e Natal enquanto pessoas são mortas, ou enquanto Papai Noel joga presentes explosivos do trenó voador (?)) ela tem um tema que é usado a exaustão; na última vez que ele é usado você se pergunta "Essa música de novo?" 
A cena de abertura é bem supimpa e apresenta de forma perfeita o tom que o filme terá. Duvido que você assista a ela e não queira ver o resto do filme: 

Um outro diferencial do filme é que ele traz uma explicação, apresentada em uma cena bem linda de stop motion de porque Papai Noel despirocou e resolveu matar todo mundo. Eu não vou estragar a explicação, que é bem absurda, (mas o filme todo é) e só vou dizer que Papai Noel neste filme é filho de ninguém menos que Satanás, com o sobrenome Shaitan e tudo mais. 
Enfim, reúna os amigos, traga um pouco de álcool e coloque este filme. Te garanto que é bem melhor que qualquer adaptação da paixão de Cristo que eles mostram perto do Natal. 
Feliz Natal!



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Eu sei o que vocês fizeram na sequência seguinte

É (Era, eu comecei esse post dia 31 e acabei hoje, dia 2) Halloween! E o que eu vos trago? UMA PORRADA de críticas! Todas sobre a série de filmes Amityville. Pincelando geral sobre esses filmes (escrevi do 2 ao 8 aqui), é triste ver como uma série de filmes que tem 2 entradas excelentes vai decaindo e decaindo. Sem mais delongas:
(Nota: O título deste post era Wild Bill Review, mas eu resolvi mudar pra uma sessão nova. Em "Eu Sei o Que Vocês Fizeram na Sequência Seguinte" eu irei analizar algumas sequências de filmes, geralmente mais de 2 (se houverem) e nunca o primeiro filme. Aproveitem!)

AMITYVILLE 2: THE POSSESSION 


Ano de lançamento: 1982
Direção: Damiano Damiani (lol?)
Elenco principal: James Olson
Burt Young
 Rutanya Alda
 Jack Magner
 Andrew Prine











Podem me bater, me apedrejar, mas eu acho Amityville 2 melhor em muitos aspectos que o 1. Aqui a história se passa antes do clássico de 1979 e leva justamente aos acontencimentos que assombram o protagonista do primeiro filme. A construção do terror aqui é superior, você realmente sente uma agonia enquanto o personagem principal vai se corrompendo e perde as esperanças cada vez que algo ruim acontece. De longe a melhor cena é a da dita possessão, o trabalho de câmera é incrível, e você fica tentando adivinhar onde está o demônio, chega a dar um nó na garganta e vontade de gritar para o protagonista: "Saia correndo daí!". Uma das coisas que eu mais gostei foi do filme não ter acabado quando você pensa que acabou, ele insere um novo arco, rápido e eficiente (apesar de ficar meio chupado de O Exorcista). A atuação é ruim na maioria do elenco, mas um filme que tem coragem de mostrar uma cena de incesto lá em 1982 é no mínimo corajoso. Vale muito ser assistido! O triste é que daqui pra frente as sequências só pioram, o que nos leva até....


AMITYVILLE 3D


Ano de lançamento: 1983
Direção: Richard Fleischer
Elenco principal: Tony Roberts
Tess Harper
 Robert Joy
 Candy Clark












Esse filme é ruim. Tão ruim que eu nem lembrava que tinha ele entre o anterior e o próximo. As atuações são ruins, a história é ruim, os efeitos são ruins. Um repórter se muda para a casa para desmascarar as supostas assombrações e acaba se ferrando quando sua filha morre. Enfim, tem um efeitozinho legal do monstro no porão. Pelo menos ele não abusa do 3D (cof cof, Sexta Feira 13 part III). Temos uma jovem Meg Rayan e uma jovem Tia Becky  Lori Loughlin em papéis de início de carreira, nada que exige muito. Fique longe desse filme, mas pelo menos ele ainda é na casa de Amityville, diferente de...

AMITYVILLE: THE EVIL ESCAPES 



Ano de lançamento: 1989
Direção: Sandor Stern
Elenco principal: Patty Duke
Jane Wyatt
Frederic Lehne













O capeta de Amityville entrou num abajur, uma velha comprou pois era feio e resolveu trollar a irmã mandando tal objeto pelo correio...e ela trollou bonito. Amityville the Evil Escapes pra mim dá o empurrão ladeira abaixo na série. Ele tira o foco da casa e começa a colocar em objetos (e todos os filmes daqui pra frente serão assim). Pra mim a única coisa interessante nesse filme é o Demônio de olhos amarelos Frederic Lehne, que já mostra uma atuação sólida no quesito "forças do mal". Tem um bilhão de cenas que poderiam ser infinitamente bem aproveitadas, mas perdem o brilho por uma má condução e atuações ruins. No fim, o abajur (?) é quebrado e o capeta entra num gato, gato esse que nunca mais volta, pois logo a seguir temos um confessionário assombrado em...

AMITYVILLE: CURSE



Ano de lançamento: 1990
Direção: Tom Berry
Elenco Principal: Kim Coates
Dawna Wightman
Helen Hughes














Sim meus amigos, um confessionário de igreja, daqueles que o padre entre e fecha a portinha pra ouvir os outros. Um confessionário mal assombrado e um filho ilegítimo de um padre. Pronto, resumi toda a bobagem que é esse filme. O cartaz diz "A Return to the Most dangerous house in the world", só que ninguém volta pra lugar nenhum, a casa é outra. E daqui pra frente você irá ver peitos nos filmes, coisas que os três primeiros não precisariam usar pra chamar a atenção. O filme é escuro e feio, as atuações são mais feias ainda. Um filme totalmente dispensável, inferior ao...


AMITYVILLE: IT'S ABOUT TIME


Ano de lançamento: 1992
Direção: Tony Rendel
Elenco  Principal: Stephen Macht
Shawn Weatherly
Megan Ward
















Amityville: Já era hora...ehheheuhauehaeuea. Só rindo mesmo pra não perder a sanidade depois de tanto filme ruim. Mas esse aqui é o melhor menos pior depois do 2. Dirigido pelo diretor de Hellraiser 2, Amityville: It's about time é sobre um relógio amaldiçado, que veio de onde? De onde? Da casa dos 3 primeiros filmes! =0. Eu gostei desse, ele tem uma história interessante, o pai atua bem (só ele), tem uma velhinha que manja das putarias do mal, os efeitos de práticos são bons, a maquiagem também, enfim, tem alguns personagens interessantes. O final tem uma surpresa muito interessante, vale a pena assistir, o que eu não posso dizer sobre...


AMITYVILLE: A NEW GENERATION



Ano de lançamento: 1993
Direção: John Murlowski
Elenco  Principal: Ross Partridge
Julia Nickson
Lala Sloatman













Uma das coisas mais desgostosas sobre Smallville é como a série vai enfiando back stories nos  personagens sem ter pensado nisso antes, aparentemente o "passado" tem duração infinita e você pode colocar quantos arcos quiser lá, pra justificar uma situação do presente. É isso que acontece aqui, do nada eles dizem que antes dos assassinatos da parte 2 (que é uma prequel da 1), houveram outros assassinatos, o pai matou a familia toda na mesa do jantar, na malfadada casa de Amityville. Esse pai é internado numa instituição, pois dizia estar possuído pelo demônio, mas por algum motivo ele pode levar um espelho que estava na casa junto com ele. Anos depois o pai sai (levando o espelho, é óbvio), encontra o filho (hein?) e dá o espelho pra ele, possivelmente pro filho também sair matando todo mundo. Você olha pra composição desse filme e ela grita  ANOS 90! Os cortes de cabelo, os figurinos, a imagem, tudo é muito caraterístico.Mas de que adianta, se o filme é ruim pra cacete? Mal executado, atuações ruins, história horrível, muito esquecível esse filme, passe longe. Agora finalmente o último...


AMITYVILLE: DOLLHOUSE



Ano de lançamento: 1996
Direção: Steve White
Elenco  Principal: Robin Thomas
Starr Andreeff
Allen Cutler











A coisa mais triste sobre Dollhouse é que ele é um dos filmes que mais tinha potencial para ser fodástico nessa lista, mas a execução é horrível. Tem uma parte do filme inteira que tirou o plot de um video pornô; sério, você acha que a qualquer instante vai começar uma música cafona e a putaria vai rolar solta. Enfim, a história tinha muito pra dar certo, o filme tem um trabalho de maquiagem incrível, mas os atores são fracos, os personagens são irritantes e a história perde tempo demais em coisas que não fazem sentido (tem uma cena sobre uma vespa que eu ainda estou tentando entender o porquê de ela existir no filme). Enfim, esse é o ultimo Amytiville da leva de filmes antigos, depois de tantas decepções eu realmente não tenho mais paciência pra continuar assistindo a série (que tem mais uns 2 trilhões de filmes).

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Carrie e a nada estranha trilha sonora







Lá em 1970 e poucos um cara trabalhava numa lavanderia industrial e quando tinha intervalo resolvia escrever, pois era o que ele realmente gostava de fazer. Essa pessoa escreveu um conto chamado Carrie, mas não gostou do próprio trabalho e jogou as folhas fora. Sua esposa, Thabita resolveu encorajá-lo, pegou as folhas do lixo e devolveu ao marido, junto com um incentivo e uma visão mais clara sobre como escrever sobre mulheres. Esse cara, Stephen King, então resolveu expandir seu conto em um livro e, para resumir, em 1973 esse livro foi publicado, mudando totalmente a história da literatura de ficção dos Estados Unidos. Em 1976 veio adaptação para o cinema, dirigida por Brian de Palma, com a fantástica Sissy Spacek como o papel do título. 
Antes de começar eu gostaria que você assistisse o filme, ou que pelo menos assistisse depois de ler a minha review. É bem interessante ler tudo isso com o filme fresco na cabeça.

Carrie é antes de tudo uma obra de arte em forma de filme. A direção é impecável, as atuações são fantásticas e a trilha sonora...ah, meus amigos, a trilha sonora! Esse é um daqueles filmes de uma época em que eles não tinham vergonha de aumentar o som da trilha sonora em algumas cenas e em que a trilha sonora é basicamente um outro personagem do filme, que pega em sua mão e te leva pra cima e pra baixo nas emoções durante as cenas. Sério, escutem isso: 
Já deixei na parte que é mais interessante pra discussão

Se aí não começou em 1:30, pulem por favor até lá. Essa é a música tema da Carrie. Toda vez em que a Carrie aparece em tela, descobrindo algo novo, não sofrendo bullying, mostrando um sorriso sincero, essa música toca. Não tem como seu coração não derreter com essa melodia, é uma garota que está aos poucos descobrindo as alegrias de viver, que está notando que possui o poder de escolha para negar a situação em que ela viveu até o momento. E essa parte do tema aí vai ser usada magistralmente em outros momentos do filme, com ritmos e entonações diferentes. 
A cena de abertura, da Carrie tomadno banho, é magnífica. Se por um lado nós temos uma Carrie mirrada, sem vida, nessa cena do banho, os closes são perfeitos pra mostrar que ela já é uma mulher, que seu corpo é lindo do jeito que é. Logo após, como se para confirmar que Carrie agora ultrapassou uma fase da vida, ela tem a primeira menstruação. Mas Carrie não foi ensinada sobre o próprio corpo, a louca da mãe dela não teve conversa alguma sobre isso com ela, pois acredita com veemência que mestruação é sinal de fornicação em algum nível; então Carrie se assusta e faz o mais lógico, pede ajuda para as mulheres que estão no vestiário. Mas como aluno de high school não é gente, as garotas caçoam dela e jogam absorventes nela. Carrie, acuada, chora copiosamente. E Sissy Spacek faz você sentir todo o medo e a tristeza da personagem, culminando com a primeira demonstração do poder destrutivo que a personagem possui.
Depois do incidente no banheiro, Carrie é levada até a diretoria e a treinadora gente boa esclarece para ela algumas coisas. O diretor da escola é um babaca, ele não consegue acertar o nome da Carrie, repetindo "Cassie" várias vezes. E isso te irrita, quando alguém se importa tão pouco com você que mesmo sendo corrigido não acerta seu nome. Aqui eu volto na trilha sonora, prestem atenção como o tema da Carrie está no começo, quando ela na cena ainda está tranquila. Porém, com o passar do tempo o tema se torna obscuro, o diretor continua a errar o nome dela e ela por fim se enfurece e quebra um cinzeiro com o poder da mente.
 
Observem a cadência da coisa

Outra personagem que merece destaque é a mãe da Carrie, interpretada por Piper Laurie. E aqui reside um dos pouquíssimos problemas do filme. A Sra. White é aquela personagem recorrente do Stephen King, aquela que nós odiamos do fundo do coração ( muito parecida com a louca do filme The Mist), ela é exagerada, ela leva sua crença ao extremo e na minha opinião a atriz Piper Laurie não entrega o feeling da coisa totalmente. Lendo alguns artigos na internet descobri que a atriz achava que era um filme de comédia, dada a postura exagerada da Sra. White, e que muitas vezes ela precisava de um tempo para não cair na gargalhada durante uma cena ou outra. Vejam bem, eu não estou dizendo que ela é uma atriz ruim, só acho que ela não pegou a essência dessa personagem, grande parte disto  também acho que vem de ser uma adaptação de um autor muito novo, talvez esse tipo de personagem, que virá a se tornar muito característico dele, ainda não estivesse tão bem desenvolvido assim. Por falar em mãe da Carrie, uma coisa que eu sempre terei PAVOR são dos olhos desse santo que fica no armário do castigo: 
Isso não tá certo, é muito desconfortável olhar pra esse santo

Acho que esta review já se estendeu demais, talvez seja uma das maiores que eu fiz aqui até agora, por isso vamos empacotar tudo falando da orgástica cena do baile. Até aqui nós estamos felizes com a Carrie, ela conseguiu um par para o baile com o cantor Ovelha o popular Tommy Ross, enfrentou a mãe, disse que as coisas iriam mudar, ela declara que quer ser normal, que quer interagir mais com as pessoas. Então o casal entra no baile, Carrie ainda insegura pelo motivo de Tommy Ross a ter convidado, mas a insegurança passa depois de um papo legal com a professora gente boa. Parece mesmo que tudo vai ficar bem, outras garotas conversam com a Carrie, algumas apontam, surpresas com a aparência da protagonista. Mas todos sabemos que algo vai dar errado, já que a parceira do Robocop a bully Nancy Allen e o namorado Travolta arquiteram um plano envolvendo sangue de porco. Mas essa sensação de que algo vai dar errado passa por alguns instantes. A cena da dança é muito bonita, ao som de uma música triste e suave: 


É nessa cena em que Carrie tem certeza de que está feliz, as dúvidas dela sobre estar bonita, sobre o acompanhante, tudo isso acaba aqui, e nós telespectadores respiramos aliviados pela personagem. Quão grande é a surpresa da garota ao descobrir que foi votada como Rainha do Baile, que sorriso maravilhoso que Sissy Spacek coloca na personagem! Sei que posso parecer enfadonho aqui, mas eu não posso deixar de colocar a trilha de quando eles são coroados: 

O tema é tocado novamente, mas escute a transição em 1:02, anunciando que aquela felicidade está para acabar em tragédia

Então em uma construção de cena incrível, nós somos levados ao desespero, quando notamos pelos olhos da personagem Sue, que o plano dos bullies dará certo, o som ambiente praticamente some e lá vem a trilha sonora te colocar pra roer unhas: 

Aqui tudo para, tudo fica silencioso, enquanto Carrie se dá conta do que aconteceu com ela. Vemos uma babaca começando a rir na platéia, entre expressões de pena, mas só escutamos o barulho do balde batendo lentamente contra a madeira e do sangue pingando. E esse silêncio é perturbador, nós estamos vendo (ou melhor, ouvindo) tudo como se fossemos a Carrie. O balde cai, mata Tommy Ross e Carrie começa a lembrar da mãe dizendo que todos irão rir dela. Numa cena terrível, de partir o coração de verdade, vemos todos rindo na cara da garota, escutamos o diretor chamando ela de Cassie, a treinadora dizendo "Pode confiar em mim, Carrie" repetidas vezes. E então Carrie simplesmente não aguenta mais. Num toque genial da direção, nossa visão é divida em duas. Assistimos essa parte do filme praticamente toda com a tela dividida, mostrando quão grande é o poder mental da Carrie. E, sinceramente, você entende perfeitamente a nossa personagem principal. Ela cansou, ela chegou num ponto em que achava que a vida ia melhorar, que ela estava feliz, só pra ser jogada no nível mais baixo possível. Se eu tivesse poderes psíquicos na época da escola, eu certamente teria machucado alguns idiotas que não cansavam de caçoar de mim. Pra mim isso é que faz o filme tão palpável, em algum nível nós nos identificamos perfeitamente com a Carrie, nós sabemos o que é ser caçoado, ser alvo de piadas incessantes, e nós praticamente torcemos para que ela mate cada um daqueles que estão rindo dela. Posso parecer meio estranho aqui, mas é bem gratificante ver a Carrie tacando o terror, na verdade vai além disso, o filme nos faz ENTENDER as ações dela. 

O filme caminha para o final, Carrie vai para casa, mata o casal que pregou a cruel peça. Ao chegar em casa a garota vai tomar banho, e somos presenteados com mais uma linda trilha (é a última, eu prometo): 


Essa música pega o começo do tema da personagem lá em cima e subverte, dá um tom extremamente triste. Essa é a cena em que Carrie está mais frágil. Ela se despe da roupa suja de sangue e entra na banheira para chorar e se limpar, aqui eu realmente já estava de coração partido. 

Adiantando, há um confronto entre Carrie e a mãe, a mãe esfaqueia a filha pois quer eliminar a bruxa que tem em casa, a serva de satã. Sissy Spacek entrega uma atuação estupêndua, a garota só quer o conforto da mãe, até se dispõe a voltar à rotina religiosa horrenda na qual era submetida, mas ao invés disso é esfaqueada nas costas, é traída. E como último recurso, para não ser esfaqueada novamente, Carrie usa seus poderes matar a mãe. E numa sacada muito genial, a mãe acaba morrendo como o São Sebastião medonho do armário do castigo da reza:



E assim basicamente o filme termina, a casa é posta ao chão por uma chuva de pedras e tem mais uma ceninha final com a Sue.

Carrie é uma obra de arte, por todas as capas de filme você espera um filme de terror, mas na verdade é puro horror. É um filme que te deixa feliz, de coração leve, só pra te jogar com força lá no fundo. O ritmo é correto, as atuações, e da trilha sonora eu já falei demais (só não falei do nome do compositor: é o italiano Pino Donaggio, e quando eu paro pra pensar agora, a trilha é bem italiana mesmo). Encerro aqui então essa review sobre essa peça rara do cinema. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Wild Bill Review, e as críticas mais rápidas do oeste!


Resolvi sacudir um projeto que estava na minha cabeça há tempos. Sempre vejo filmes que, sinceramente, não são dignos de uma full crítica, mas valem a pena ser mencionados (para bem ou não). Então vou começar essa sessão no blog, de críticas rápidas, geralmente serão 2 ou 3 filmes por post. Sem mais delongas, aí vão Evidence (2012) e La Entidad (2015) dois found footages.


EVIDENCE (2012)



Ficha Técnica:
Data de lançamento: 2012
Direção: Howie Askins
Elenco principal: Ryan McCoy 
Brett Rosenberg
Abigail Richie
Ashley Bracken














Evidence é estranho, no geral eu achei um filme ruim, me deu dor de cabeça quando acabei de ver. Ele te deixa muito confuso no começo sobre o motivo da câmera, é apenas dito que é um documentário sobre um dos personagens e ponto. Então temos um desfile dos clichês do gênero, e a pergunta que não se cala na maioria dos found footages: POR QUE DIABOS VOCÊ CONTINUARIA FILMANDO QUANDO SUA VIDA CORRE RISCO? Enfim, é na na primeira meia hora que começa o motivo da minha dor de cabeça. Por algum motivo, sempre que o monstro está por perto a câmera começa a dar uns defeitos irritantes, se fosse um filme de fantasmas ou alienígenas eu até entenderia esse efeito, mas no começo eu jurava que era apenas um pé grande. Aí quando chegamos em 45 minutos de filme o caos é liberado. Você vai passar a próxima meia hora se perguntando o que diabos está acontecendo, enquanto se irrita profundamente com os glitches da câmera. Sério, a câmera não passa 2 segundos sem dar defeito, você não consegue entender o que está sendo mostrado, e o recurso de aparecer alguém dando um gritão na câmera é usado infinitas vezes. Depois de um tempinho você começa a fazer noção do que está acontencendo, um pouco antes do final. Aí eles jogam algumas cenas horríveis nos crédios, escuras e difíceis de entender, e fim. Esqueci de comentar que as atuações são de medianas pra ruins. Não vale a pena, é muita dor de cabeça pra pouca coisa interessante.

LA ENTIDAD (2015)

Ficha técnica
Data de Lançamento: 2015
Direção: Eduardo Schuldt
Elenco principal: Rodrigo Falla
Daniella Mendonza
Carlos Casella













Estão vendo essa cara feia no cartaz aí? Essa é a tal Entidad do título, e é a primeira vez que eu a vejo. La Entidad é um filme peruado peruano que não se esforça muito pra trazer novidades pra tela. Um grupo de amigos resolve fazer um trabalho sobre reaction videos e esbarra num video onde todas as pessoas presentes morreram, e então eles começam a investigar e assim vai. O maior problema de La Entidad pra mim é que o começo cria toda uma aura ao redor da Entidad, sobre como centenas de pessoas a filmaram e tal, mas você nunca vê o bicho. No máximo uma sombra estranha que passa quando a câmera está tremendo aqui e ali. As atuações não são ruins (gente falando espanhol correndo por motivo de medo é interessante de se ver), mas a execução é ruim. É um filme morno, que serve no máximo pra passar o tempo (curtinho, 80 minutos). Porém, uma coisa me fez rir sobre o filme. A Entidad é uma bruxa (eu acho) da inquisição (ou uma manifestação de uma maldição) que jurou vingança contra todos os cristãos, ou seja, dessa eu sairia dançando. Ah, o fim tem um twist bem desnecessário.

domingo, 14 de maio de 2017

Carnoussauro, com muitos SPOILERS, pq você não vai assistir essa tranqueira mesmo...


Quando pensamos em filmes de dinossauros, pensamos automaticamente em Jurassic Park e suas continuações. Sempre achei curioso como essa série de filmes dominou o mercado mainstream de filmes de dinossauro (animações não contam). Enfim, lá em 1993, na sombra do famoso Jurassic Park, surgiu a tranqueira chamada CARNOSSAURO. 

Primeiramente vou avisa que essa postagem contêm SPOILERS, Está cheia deles, pois eu acho muito difícil que você, caro leitor, vá querer tirar 1:23 h do seu tempo para assistir algo que em muitas cenas nota-se claramente que o dinossauro é um boneco de mão (isso mesmo, como um fantoche). 
Vamos, antes de tudo, olhar o cartaz do filme: nele temos duas frases "Driven to extinction. Back to revenge." NENHUMA DAS DUAS FRASES FAZEM SENTIDO! "Driven to extinction" - em tradução livre: levados à extinção. Por quem? E, "back for revenge." What? Alguns milhões de anos depois os dinossauros voltam para se vingar (?) de quem? Socorro!
Eu devo dizer que esse é um filme que tem um clima bem interessante e sombrio, até o primeiro dinossauro aparecer. Daí pra frente você começa a rir. O primeiro dinossauro, um Velociraptor, no começo é claramente um boneco de mão. Ele começa a crescer numa velocidade impressionante, até ser morto num duelo com um policial com excesso de atuação. O policial morre após o confronto, empalado pela enorme garra do animal, num angulo totalmente IMPOSSÍVEL:
O dinossauro estava na frente dele, com as patas passando por baixo das pernas.

Voltando ao filme, desde o começo aparecem umas letras verdes com informações que te fazem ficar completamente perdido. Elas mostram o nome do local, uma taxa de infecção celular por milhão (?), a hora e uma sigla estranha: AION com um número na frente (ainda não descobri ao que ela se refere). E é assim que vai a primeira metade do filme. Você não entende bulhufas, porque tem um dinossauro à solta? Ele saiu de um ovo de galinha (?) e cresce numa velocidade assustadora, por qual motivo? Mais pra frente somos apresentados à um T-Rex numa boate  preso por uma cela feita de lasers, que voltará mais tarde tocando o terror e mostrando que além de braços, o T-Rex tem outros sérios problemas de movimentação. 
Acho que a pérola maior do filme é quando você descobre o motivo de tudo. Na abertura do filme temos algumas informações que, pra variar, não fazem sentido. São pequenos relatórios de experimentos genéticos como esse: 

Nessas horas eu fico feliz por ter feito humanas, se eu tivesse feito algo da área biológica eu possivelmente ia estremecer com isso aí

Lá pelas tantas, é revelado que uma ambiciosa cientista que trabalha para uma empresa de criação de galinhas fez vários experimentos genéticos e acabou criando um vírus (?) que faz com que a fêmea dê a luz a um...OVO DE DINOSSAURO (??). Ela revela que odeia os seres humanos e que quer que o planeta seja "devolvido" aos dinos. Então sim, a galinha no começo do filme explodiu porque tinha um fucking ovo de dinossauro dentro dela. Esse vírus só infecta fêmeas, e lá pelas tantas temos uma cena que de acordo com a lore do filme (...) não faz sentido algum, que é quando essa cientista dá a luz a um dinossauro, no melhor estilo Alien. Depois de descobrir esta notícia bombástica, conseguimos entender um pouco as letrinhas verdes que aparecem desde o começo do filme, elas mostram a taxa de infecção pelo vírus jurássico no local. Ao descobrir isto, o governo faz uma força tarefa para discutir como proceder, dando origem à uma das cenas mais nonsense que já vi em um filme trash: alguns fodões se reúnem para discutir o que pode acontecer no pior cenário. Uma das mulheres diz que em 10 dias irão perder 34% da população feminina (!) e em 6 meses METADE da ESPÉCIE (!!!), porém isso não é o fim. A grande empresa de frangos, EUNICE (...), segundo um velho de terno e gravata, vem trabalhando com úteros artificiais há anos e estão dispostos, nas palavras dele, a "criar uma nova geração de fêmeas." E assim todos concordam que devem deixar o vírus se espalhar naturalmente e deixar as mulheres morrem, porque depois elas vão ser "repostas" através de um programa governamental de fertilidade mesmo. Mas, e os dinossauros que vão sair dos ovos? Um dinossaurinho já causou um estrago enorme, imagina aí metade da população feminina do mundo dando luz à ovos de Velociraptores. Isso não parece ser uma questão importante para eles. Então o povo de roupa amarela sai por aí matando todos os infectados e as testemunhas também. 
Note que eu falei basicamente do filme todo sem falar dos personagens principais. Raphael Sbarge (Quem? O grilo falante de Once Upon a Time) é 'Doc' Smith ["Por que te chamam de Doc?" "Eu não sei"] um operador de máquinas pesadas e aparentemente um especialista em vacinas, tem sua vida perturbada por seres jurássicos e ativistas anti-progresso. Ele conhece Thrush ["Mas isso nem é um nome de verdade"], e os dois se apaixonam no meio dessa confusão. Thrush nos conta que o local onde estão construindo costumava ser uma rota de migração de dinossauros, que ele deveria ser preservado. Enfim, Doc começa a fuçar na questão do dinossauro, se infiltra facilmente na empresa de frangos EUNICE e faz a Dra. Jane contar para ele todo o plano que eu contei ali em cima e ainda obriga ela a sintetizar uma vacina para o vírus, ["Você sabe muito bem doutora, que se existe um soro, pode existir um antivírus" Nota-se o conhecimento avançado do personagem]. Por algum motivo a vacina é produzida entre uma cena e outra e pronto, Doc leva embora. Nisso, a Dra. Jane solta o T-Rex da boate da cela de lasers e ele escapa da empresa, quebrando a parede com a cabeça numa cena muito mas muito baixo orçamento. Doc administra a vacina em Thrush, coloca o frasco numa prateleira e os dois partem pra briga, resolvem matar o T-Rex no melhor estilo Aliens: com uma empilhadeira. Depois de uns cortes mal feitos e uns enquadramentos de qualidade duvidosa, Doc consegue enfiar as pás da empilhadeira no peito do dinossauro, derrotando-o
O melhor enquadramento que eu consegui da cena (...)

Após a batalha épica os dois voltam para a cabaninha de Doc, pois Thrush foi ferida. Ele deita a garota na cama, escuta uma chamada do exército no rádio e prontamente responde, dando a sua localização. Alguns instantes depois, os homens de roupa amarela chegam, matam os dois e tacam fogo na casa. O detalhe irônico é que o frasco com a vacina para o vírus estava na prateleira atrás da cama, ele acaba pegando fogo e estoura. A cena final do filme é poética: depois de mostrar o frasco da vacina estourando, a câmera foca em um poster do MAD com os dizeres "What.. Me worry?"enquanto ele queima. LINDO! 

Fechando esse post, que já está gigante, Carnossauro é um filme divertido, é um típico filme trash, sente-se sem esperar nada dele e você irá se divertir. Este é um filme em que demoraram mais pra fazer a pele do "robô" (5 semanas) do que para filmar (18 dias), então...
T-Rex fritando na balada, mesmo com esses bracinhos ele deve tocar melhor que o Skrillex